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China suspende importação de seis empresas agrícolas dos EUA e retalia tarifas de Trump

Decisão abrange uma companhia que exporta sorgo para a China, três empresas que comercializam carne de frango e farinha de ossos, além de duas outras que exportam produtos avícolas

China: Administração Geral de Alfândegas do país encontrou níveis elevados de zearalenona, uma substância tóxica produzida por fungos que pode contaminar alimentos e rações, além de mofo no sorgo importado dos EUA. (Mateus Bonomi/Anadolu/Getty Images)

China: Administração Geral de Alfândegas do país encontrou níveis elevados de zearalenona, uma substância tóxica produzida por fungos que pode contaminar alimentos e rações, além de mofo no sorgo importado dos EUA. (Mateus Bonomi/Anadolu/Getty Images)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 4 de abril de 2025 às 11h18.

Última atualização em 4 de abril de 2025 às 11h52.

Em meio ao tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a China comunicou nesta sexta-feira, 4, a suspensão da importação de produtos de seis empresas agrícolas dos EUA. A decisão foi tomada, segundo o jornal local Global Times, "para proteger a saúde dos consumidores chineses e garantir a segurança da indústria pecuária do país".

Na prática, segundo o jornal, as empresas americanas C&D (USA), American Proteins, Mountaire Farms of Delaware, Darling Ingredients Inc, Coastal Processing e LLC foram desqualificadas para exportar seus produtos ao país asiático.

As suspensões abrangem uma empresa americana responsável pela exportação de sorgo para a China, três companhias que comercializam carne de frango e farinha de ossos, além de duas outras que exportam produtos avícolas.

Recentemente, a Administração Geral de Alfândegas da China encontrou níveis elevados de zearalenona, uma substância tóxica produzida por fungos que pode contaminar alimentos e rações, além de mofo no sorgo importado dos EUA.

O órgão também detectou a presença de Salmonella na carne de frango e na farinha de ossos, segundo informações divulgadas no seu site oficial.

Além da contaminação por fungos, a China informou que foi detectada furazolidona, uma substância proibida pela legislação chinesa, em produtos avícolas importados dos EUA — a presença desse composto químico reforçou a decisão de endurecer as barreiras sanitárias contra produtos americanos.

Retaliação da China

Mais cedo, o governo chinês anunciou que adotará uma tarifa de 34% sobre todas as importações americanas — a medida entrará em vigor a partir de 10 de abril, segundo a agência estatal de notícias Xinhua. A sobretaxa é o mesmo patamar anunciado nesta semana pelo presidente dos EUA.

Ao divulgar o que chamou de "tarifas recíprocas" contra todos os países, Trump aplicou uma taxa de 34% sobre produtos chineses, que começará a vigorar neste sábado, 5 de abril.

A taxa americana vai se somar a uma tarifa de 20% já aplicada este ano a produtos chineses, totalizando 54% para os produtos importados da China.

A medida chinesa afetará principalmente o setor de grãos dos EUA, incluindo soja, milho, trigo e também carne bovina. Em 2024, a China importou US$ 16,26 bilhões em carne bovina, suína e de frango dos Estados Unidos.

Segundo o Global Times, a Comissão de Tarifas Aduaneiras da China declarou que as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos violam as regras do comércio internacional, prejudicam os direitos e interesses legítimos do país e exemplificam o bullying unilateral.

O governo chinês busca minimizar o impacto interno, escolhendo produtos que podem ser facilmente adquiridos de outros mercados. O país asiático já enfrenta desafios econômicos, como baixa inflação e uma crise imobiliária, com a inflação ao consumidor entrando em deflação pela primeira vez em 13 meses. Em março, a China começou a aplicar tarifas de até 15% sobre produtos agrícolas dos Estados Unidos.

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