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Governo de SP amplia compra de café de pequenos exportadores afetadas pelo tarifaço de Trump

Segundo a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), os produtos serão destinados a hospitais, escolas, penitenciárias e outros prédios da administração pública

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 30 de agosto de 2025 às 11h30.

O governo do Estado de São Paulo irá expandir a aquisição pública de café de cooperativas paulistas participantes do Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS). A informação foi antecipada à EXAME pela gestão estadual.

Inicialmente, a previsão era de que as compras de café de pequenos produtores não ultrapassassem R$ 300 mil em 2025, já que este é o primeiro ano do produto no PPAIS.

Contudo, com a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, afetando também o café, a administração estadual aumentou esse valor para R$ 1 milhão até o fim do ano.

Até agora, em 2025, já foram adquiridas 8 toneladas de café torrado e moído. Segundo a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), os produtos serão destinados a hospitais, escolas, penitenciárias e outros prédios da administração pública.

“O café, agora incluso nas compras públicas, fortalece um produto essencial para a vida de todos os paulistas e assegura um mercado estável para as pequenas propriedades produtoras”, afirmou o secretário de Agricultura e Abastecimento, Guilherme Piai, em nota enviada à EXAME.

A medida visa garantir mercado interno e previsibilidade financeira aos pequenos produtores, especialmente em um contexto de instabilidade nas exportações.

Atualmente, o PPAIS conta com 30 cooperativas e está com cinco Chamadas Públicas em andamento para o café, abrangendo as regiões de Bauru e Ribeirão Preto.

A Coopercuesta, uma das cooperativas beneficiadas, destaca que a medida representa um marco para a cafeicultura da Cuesta Paulista.

“Produzimos de 5 a 6 mil sacas de café por ano, mas apenas 20% chegavam ao mercado Fair Trade internacional. Agora, com o PPAIS, nossa expectativa é que até 80% da produção seja processada, torrada, moída e comercializada no mercado interno, trazendo estabilidade, renda e desenvolvimento para nossa região”, afirmou Luís Carlos Josepetti Bassetto, presidente da cooperativa.

Em 2024, os Estados Unidos importaram cerca de 8,1 milhões de sacas de 60 kg de café do Brasil, o que corresponde a aproximadamente 33% das importações totais de café dos EUA, segundo dados da UN Comtrade. O valor dessas importações foi de cerca de US$ 2,01 bilhões.

São Paulo é um dos principais exportadores de café para os EUA.

Entre janeiro e julho de 2025, as exportações de café paulista totalizaram US$ 1,10 bilhão, representando 6,8% do total do agronegócio estadual e ocupando a sexta posição entre os grupos exportadores.

Em comparação com o mesmo período de 2024, o setor apresentou um crescimento expressivo de 49,6%, consolidando o café como um dos principais destaques da balança comercial do agronegócio paulista em 2025.

Somente em 2025, o PPAIS movimentou cerca de R$ 36,5 milhões em aquisições da agricultura familiar, o que representa um aumento de 71% em relação a 2024. Atualmente, cerca de 40 cooperativas fazem parte do programa.

“A ampliação do programa cria novas alternativas para escoar o café paulista no mercado interno, diante das barreiras externas, fortalecendo as cooperativas e garantindo a renda dos produtores familiares”, afirmou Clóvis Etto, analista de desenvolvimento agrário e gestor do PPAIS.

Além das compras públicas, o governo disponibilizou crédito especial para exportadores, por meio do Desenvolve SP, e liberou crédito de ICMS para aliviar os custos financeiros dos produtores e cooperativas. Outro suporte importante para os produtores é a abertura de novos mercados consumidores para os produtos paulistas.

Medida federal

Entre as medidas autorizadas pelo governo federal para amenizar os efeitos para exportadores pelo tarifaço está a autorização de compra de forma direta, sem a necessidade de licitação, uma série de alimentos que deixaram de ser adquiridos por empresas americanas.

Uma portaria conjunta dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura estabeleceu os itens abrangidos pela medida: açaí, água de coco, castanha de caju, castanha do Brasil, mel, manga, pescados e uva.

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