Donald Trump, presidente dos EUA, exibe quadro com novas tarifas (Brendan Smialowski/AFP)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 2 de abril de 2025 às 19h11.
Última atualização em 2 de abril de 2025 às 20h03.
Os setores de carne, suco de laranja e cana-de-açúcar vão aguardar o decreto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as tarifas de importação para se pronunciarem a respeito dos possíveis impactos para os produtos brasileiros. Nesta quarta-feira, 2, Trump anunciou que irá aplicar tarifas de importação de 10% aos produtos oriundos do Brasil.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), a carne brasileira já é taxada em 26,4%, com uma cota inicial isenta de 65 mil toneladas, compartilhada entre dez países. Essa cota, que é anual, costuma se esgotar logo no primeiro mês do ano.
“Mais de 70% do que exportamos no ano passado entrou com a tarifa. Apesar disso, acreditamos num estreitamento da parceria porque os EUA enfrentam desafios no ciclo pecuário e, por pelo menos dois anos, precisarão de quem possa garantir volume, qualidade e preço — e esse parceiro é o Brasil”, diz a entidade.
Em 2024, os EUA importaram 229 mil toneladas de carne do Brasil, o que colocou o país americano como o segundo principal destino das exportações da proteína do Brasil, e resultaram em um faturamento de US$ 1,35 bilhão.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar também disse à EXAME que espera o decreto do presidente dos EUA, já que, durante seu anúncio, não ficou claro se o etanol brasileiro será taxado dentro do percentual de 10%. Atualmente, os EUA aplicam uma taxa de 2,5% sobre a importação de etanol do Brasil, enquanto o país cobra uma tarifa de 18% sobre o etanol importado dos EUA.
Segundo a Datagro, desde 2021, as importações brasileiras de etanol dos EUA caíram para 247 milhões de litros por ano, enquanto as exportações do Brasil para os EUA ficaram em 309 milhões de litros anuais.
No Brasil, o etanol de cana representa 78% da oferta total de etanol no país, enquanto o etanol de milho responde por 22%.
Para Ibiapaba Netto, diretor-executivo da CitrusBR, entidade que representa a indústria do suco de laranja no Brasil, ainda é cedo para avaliar os reais impactos sobre o setor. “É preciso avaliar o decreto para só depois termos um posicionamento”, afirmou ele à EXAME.
Junto com o México, o Brasil é um dos principais fornecedores de suco de laranja para os EUA. Segundo a Secex, as exportações brasileiras do produto para os Estados Unidos tiveram alta em 2022/23, totalizando 340,9 mil toneladas, 69% superior ao volume embarcado em 2021/22.
Dados do governo federal mostram que as exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 40,3 bilhões em 2024, enquanto as importações foram superiores, avaliadas em US$ 40,6 bilhões. Logo, a relação comercial entre os EUA e o Brasil é deficitária para o país sul-americano, ou seja, o Brasil compra mais do que exporta.
No comunicado emitido pela gestão Trump, os EUA vão aplicar tarifas mais altas para países que têm grandes déficits comerciais com os EUA. Para os outros países, a tarifa será de 10%. Essas tarifas vão durar até que Trump por tempo indeterminado.
O republicano disse que as tarifas recíprocas seriam em valor menor do que outros países cobram dos Estados Unidos, pois considerou outras medidas, como barreiras sanitárias e condições cambiais, como entraves à entrada de produtos americanos.
O primeiro país citado por Trump ao anunciar as tarifas foi a China, que terá tarifa de 34%.
O anúncio foi feito durante um evento no jardim da Casa Branca, com a presença de seus secretários. Trump disse que hoje é o Dia da Libertação, em que os EUA deixarão de depender de exportações estrangeiras e, em sua visão, de serem explorados por outros países.
Antes de anunciar as tarifas, Trump citou vários casos de países que aplicam tarifas sobre produtos americanos que ele considera injustas.
No discurso, Trump reafirmou que as tarifas de 25% sobre carros importados entrarão em vigor também no início desta quinta-feira, 3.