Brasilia - DF - Distrito Federal - Palácio do Planalto (poder Executivo) - bandeira do brasil Foto: Leandro Fonseca data: 27/08/2024 (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter especial de Macroeconomia
Publicado em 2 de abril de 2025 às 06h01.
O governo brasileiro está dividido sobre a possibilidade de retaliar os Estados Unidos se as medidas que forem anunciadas nesta quarta-feira, 2, sobretaxarem produtos e serviços brasileiros, afirmaram à EXAME técnicos que acompanham as discussões.
Uma ala da gestão governista — mais ideológica e ligada à corrente de esquerda — defende uma ação enérgica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com a adoção de reciprocidade tarifária.
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Outra ala governista — mais pragmática — avalia que o poder de fogo do Brasil é reduzido em relação aos norte-americanos e os prejuízos para o país poderiam ser ainda maiores em caso de uma guerra comercial entre as duas nações.
“Nós temos uma granada e eles têm uma bazuca para nos atacar. Não podemos dar um tiro no pé em uma eventual retaliação”, disse um técnico governista que acompanha as discussões sobre o tema.
Entre as possibilidades de retaliação discutidas estão a elevação de tarifas para produtos importados dos Estados Unidos. Além da sobretaxação, também é debatido o bloqueio de dividendos gerados pela exibição de filmes produzidos em Hollywood e exibidos no Brasil — e até a cassação de patentes de medicamentos não controlados.
Também é considerada a possibilidade de quebra de patentes de sementes, defensivos agrícolas, obras literárias e musicais. As informações foram publicadas pelo O Globo e confirmadas pela EXAME.
Todas essas medidas são debatidas entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Ministério da Fazenda, Ministério das Relações Exteriores e pela assessoria especial da Presidência da República.
Uma decisão final será tomada pelo presidente Lula e deve caber ao vice-presidente Geraldo Alckmin comunicar as decisões governistas sobre o tema.
Nesta terça-feira, 1, Alckmin adotou um tom cauteloso e disse que o governo brasileiro esperaria as medidas norte-americanas se concretizarem antes de qualquer reação brasileira.
No Congresso, por sua vez, o plenário do Senado, aprovou nesta terça-feira, 1º de abril, por 70 votos a 0, o projeto de lei que permite ao Brasil responder com sanções comerciais a países que não mantenham uma relação de isonomia econômica.
O texto ganhou força em resposta ao chamado "tarifaço" imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e às possíveis restrições impostas pelo mercado europeu à proteína bovina brasileira e à soja produzida em áreas desmatadas. A proposta segue para a análise da Câmara dos Deputados.
Um estudo do banco BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) mostrou que as medidas de Trump podem ter um impacto negativo anual para o Brasil entre US$ 3 bilhões e US$ 10 bilhões na balança comercial com os Estados Unidos após a aplicação das tarifas recíprocas prometidas pelo presidente Donald Trump, aponta .
Trump fará o anúncio das tarifas em um grande evento na Casa Branca, na quarta-feira, 2, às 17h (hora de Brasília). Ele promete agir contra países que cobram tarifas de importação de produtos americanos maiores do que o cobrado pelos EUA ao comprar produtos daquele país.