Brasil

Caiado lança candidatura à Presidência sem a presença do presidente nacional do União Brasil

Governador de Goiás faz evento em Salvador, após pressões do partido pelo adiamento; Antonio Rueda faltou

Ronaldo Caiado: governador de Goiás lança pré-candidatura em Salvador, na Bahia (Um Brasil/Divulgação)

Ronaldo Caiado: governador de Goiás lança pré-candidatura em Salvador, na Bahia (Um Brasil/Divulgação)

Agência o Globo
Agência o Globo

Agência de notícias

Publicado em 4 de abril de 2025 às 17h33.

Última atualização em 4 de abril de 2025 às 17h47.

Tudo sobreEleições 2026
Saiba mais

Ao som do jingle "Coragem para mudar, coragem para fazer, um grande coração. Caiado por você", o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), lançou na manhã desta sexta-feira sua pré-candidatura à Presidência da República em um evento realizado em Salvador, capital da Bahia.

Apesar do entusiasmo, o evento foi marcado por ausências importantes: o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, não compareceram. A direção nacional do partido foi representada pelo vice-presidente e ex-prefeito de Salvador, ACM Neto.

À imprensa, o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, justificou a ausência de Rueda afirmando que ele "teve um problema", mas que tentaria chegar ao final da solenidade, o que não ocorreu. O episódio aconteceu em meio a pressões dentro do partido para que o governador adiasse o evento, considerado prematuro por algumas lideranças. ACM Neto minimizou a ausência de Rueda e enfatizou que o partido buscará unidade no momento certo:

— A ausência do presidente Antônio Rueda ocorre sem nenhum trauma ou problema. O partido tem internamente seus diferentes pensamentos, que serão convergentes quando for necessário. Estamos no início e vamos exercitar o diálogo. No momento certo, o partido estará unido.

A situação ficou ainda mais delicada com a deflagração, na véspera, da terceira fase da Operação Overclean, que teve como alvos filiados ao União Brasil. Parte dos mandados de busca e apreensão foi cumprida justamente em Salvador, onde o evento ocorreu.

Apesar da crise, diversas lideranças políticas estiveram presentes ao lado de Caiado, incluindo o senador Sergio Moro (União), o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), o atual prefeito Bruno Reis (União), o vice-governador de Goiás Daniel Vilela (MDB) e o deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ).

Em seu discurso, Caiado classificou o evento como um dos dias mais felizes de sua vida e reafirmou sua disposição para liderar o Brasil. O governador também falou sobre o respaldo de sua movimentação:

— Cabe a cada um não ficar dependendo da sombra de A ou de B. O candidato tem de se apresentar para as prévias. É isso que o União Brasil está fazendo. Aquele que chegar mais bem avaliado no final, avança. O partido está aberto a todos que quiserem disputar a prévia. E aqui não é candidato de bolso de colete, ou de barra de saia. Quem tiver coragem, independência moral e intelectual, que se apresente.

Sergio Moro, por sua vez, elogiou o governador e criticou a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT):

— A gente precisa de alguém com pulso firme, que já foi senador, governador. Por isso, precisamos de Ronaldo Caiado.

A cerimônia teve início com um batuque em ritmo de samba-reggae, semelhante ao Olodum, e contou com a entrega do título de cidadão honorário da Bahia a Caiado, além da comenda Dois de Julho, outra honraria local.

Além de Rueda, outras figuras importantes também não compareceram ao evento. Ministros do governo Lula ligados ao União Brasil — Celso Sabino, Juscelino Filho e Waldez Goés — optaram por se ausentar.

O presidente do PP, Ciro Nogueira, que recentemente aprovou a federação com o União Brasil, também não esteve presente. Nogueira defende que Caiado precisa do apoio de Jair Bolsonaro para viabilizar sua candidatura, enquanto o governador goiano se opõe à federação com o PP.

Outro nome ausente foi o cantor sertanejo Gusttavo Lima. Inicialmente cotado para compor a chapa de Caiado, ele descartou disputar as eleições de 2026. Apesar de declarar apoio ao governador e chamá-lo de "amigo", o artista não compareceu ao evento.

O governador tem feito acenos ao bolsonarista, mas nega precisar do aval do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para concorrer ao Planalto.

No cenário da direita, Caiado enfrenta forte concorrência. Hoje, dois nomes estão à frente dele na preferência do ex-presidente: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro de Bolsonaro e principal aposta desse campo político, e o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), que receberá Bolsonaro na sede de seu governo hoje.

Acompanhe tudo sobre:Ronaldo CaiadoGoiásEleições 2026

Mais de Brasil

Leilão de ponte entre Brasil e Argentina é cancelado após não receber nenhuma proposta

Lula é cobrado por Raoni por pesquisa na Margem Equatorial: 'Há riscos grandes e consequências'

Ônibus com 35 pessoas a bordo capota e deixa ao menos cinco mortos no Rio Grande do Sul

Estação Ambuitá, da Linha 8-Diamante, começa a operar nesta sexta