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Cunha tira pedidos de impeachment contra Dilma da gaveta

Com a medida, o presidente da Câmara abre caminho para que os autores dos pedidos de impeachment reúnam mais argumentos e indícios contra a presidente

Dilma Rousseff em cerimônia de posse (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Dilma Rousseff em cerimônia de posse (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Talita Abrantes

Talita Abrantes

Publicado em 18 de julho de 2015 às 11h44.

São Paulo – Horas depois de romper relações com o governo federal, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, desengavetou 11 pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. As informações são do blog do jornalista Josias de Souza e do site do Congresso em Foco. O deputado federal Jair Bolsonaro é um deles.

Segundo as publicações, Cunha despachou 11 ofícios que dão prazo de 10 dias para que seus autores atualizem os documentos adequando-a aos requisitos da Lei número 1.079/1950 e do regimento interno da Câmara dos Deputados.

Com a medida, o presidente da Câmara abre caminho para que os autores dos pedidos de impeachment reúnam mais argumentos e indícios contra a presidente, como, por exemplo, a denúncia do dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, de que a campanha à reeleição de Dilma teria recebido dinheiro desviado da Petrobras. 

A manobra, considerada incomum pelo jornalista Josias de Souza, pode ser um amostra da retaliação que Cunha prepara para o segundo semestre.

Ontem, o peemedebista autorizou duas CPIs que incomodam Dilma: a do BNDES, que vai investigar supostos empréstimos irregulares, e outra para apurar pagamentos indevidos dos Fundos de Pensão das estatais.

O conjunto de ações é uma resposta de Cunha ao agravamento das denúncias contra ele no âmbito da Operação Lava Jato.

Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, Júlio Camargo disse que Eduardo Cunha pediu propina de 5 milhões de dólares em um contrato de navios-sonda da Petrobras. No mesmo dia, o doleiro Alberto Youssef disse que estava sendo coagido por um deputado "pau mandado" do presidente da Câmara. 

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