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Desaprovação de Lula cresce e chega a 56%, pior patamar do terceiro mandato, diz Genial/Quaest

A reprovação do trabalho do presidente petista subiu 7 pontos percentuais, enquanto a aprovação caiu seis pontos. No Nordeste, governo registra o seu pior resultado desde o inicio do mandato

O presidente Luiz Inacio Lula da Silva, durante evento em Brasília (Evaristo Sá/AFP)

O presidente Luiz Inacio Lula da Silva, durante evento em Brasília (Evaristo Sá/AFP)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 2 de abril de 2025 às 07h00.

Última atualização em 2 de abril de 2025 às 08h59.

A desaprovação do trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cresceu e atingiu o seu pior patamar desde o início do governo, segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 2. O levantamento mostra que 56% dos brasileiros desaprovam a gestão petista, 41% aprovam e 3% não sabem ou não responderam.

Este é o segundo mês consecutivo que a desaprovação ultrapassa a aprovação, sendo que, pela primeira vez, essa diferença está além da margem de erro do levantamento, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Na comparação com a pesquisa de janeiro, a reprovação cresceu 7 pontos percentuais, de 49% para 56%, enquanto a aprovação caiu 6 pontos, de 47% para 41%.

Os dados do estudo mostram que o crescimento da desaprovação acompanha o aumento da percepção da população de que o país está na direção errada e de que a economia piorou nos últimos 12 meses. Em relação a janeiro, a percepção de que a direção está errada subiu de 50% para 56%, e o índice dos que consideram a direção correta recuou de 39% para 36%.

O cenário econômico também reflete essa mudança de percepção. Aqueles que consideram que a economia piorou nos últimos 12 meses passaram de 39% para 56%, enquanto os que acreditam que a situação melhorou caíram de 25% para 16%. Para 26%, a economia não mudou (32% em janeiro). Os principais fatores que influenciam essa avaliação incluem o aumento do desemprego (53%), a alta nos preços dos alimentos (88%), combustíveis (70%) e contas de água e luz (65%).

A pesquisa é mais uma que reforça a queda da popularidade de Lula em um momento de desaceleração da economia e aumento dos preços dos alimentos. Para responder a esses números, o governo tem apostado em medidas como a liberação do saldo retido do FGTS, o novo consignado para trabalhadores CLT e mudanças no Minha Casa, Minha Vida. Além disso, aposta na isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000, que entrará em vigor em 2026. Até o momento, os números não mostram que as medidas têm surtido efeito na opinião pública.

Aprovação no Nordeste chega ao pior patamar do governo

A pesquisa mostra uma queda da popularidade de Lula no principal reduto petista, o Nordeste. Apesar da aprovação ainda ser superior à desaprovação, os dados mostram um crescimento de nove pontos percentuais da avaliação negativa do governo, de 54% para 61%, e uma queda de sete pontos da avaliação positiva, 44% para 35%.

Nas outras regiões, a reprovação também atingiu o seu pico, enquanto aprovação caiu para o menor registro da série histórica da pesquisa. No Sudeste chegou a 60% de desaprovação e 37% de aprovação, e no Sul, 64% contra 34%.

Entre as mulheres, pela primeira vez, a desaprovação superou a aprovação, que passou de 47% para 53%, enquanto a aprovação caiu de 49% para 43%. Esse recorte da população nas últimas pesquisas avaliavam de forma positiva o governo petista.

Entre os jovens, a desaprovação saltou de 52% para 64%. Somente entre os maiores de 60 anos a aprovação (50%) ainda supera a desaprovação (46%). Nos estratos de renda mais baixa, como os que ganham até dois salários mínimos, a aprovação ainda é maior (52% contra 45%), assim como entre aqueles com Ensino Fundamental incompleto.

Violência segue como principal preocupação

A maior preocupação dos brasileiros, segundo os dados da pesquisa, é a violência, com 29% das menções. Em relação ao mês anterior, a preocupação com a violência subiu três pontos percentuais. A economia registrou uma variação negativa de dois pontos, caindo para 19%. A saúde, por sua vez, atingiu seu menor patamar, com 12% das menções, também em comparação ao mês passado. A corrupção aparece com 10% e a educação com 7%. 

Maioria considera que este é o pior mandato de Lula

A comparação com os dois mandatos anteriores de Lula também não é favorável. Mais da metade dos entrevistados, 53%, consideram que este governo é pior que os anteriores, um aumento de 8 pontos percentuais em relação a janeiro (45%). Apenas 20% acham que está melhor, contra 32% em janeiro. Pela primeira vez, o governo Lula é considerado pior que o de Jair Bolsonaro, com 43% dos entrevistados opinando assim, contra 39% que consideram o atual governo melhor.

Em relação a algumas medidas específicas, a pesquisa mostrou opiniões divididas. Quanto à isenção do imposto de importação de 11 alimentos, 48% acreditam que a medida ajudará a reduzir os preços, enquanto 45% acham que ela não terá efeito. A isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 é vista de forma positiva por 51% dos entrevistados, que consideram que o impacto será pequeno, enquanto 33% acreditam que a melhora será significativa.

Além disso, 47% dos entrevistados afirmam ver mais notícias negativas sobre o governo, contra 23% que veem reportagens mais positivas. Em relação à troca de Paulo Pimenta por Sidônio Palmeira no Ministério das Comunicações, 44% consideram que a mudança não alterou a comunicação do governo. E, quanto às aparições de Lula, 50% acreditam que elas pioram sua imagem.

A pesquisa, realizada entre os dias 27 e 31 de março, ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, através de entrevistas presenciais com questionários estruturados. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, e o índice de confiança é de 95%.

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