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Marinha assina acordo com o Reino Unido e dá início a processo para compra de navios de guerra

Embarcações teriam sido ofertadas ao Brasil pelo valor de 20 milhões de libras, o equivalente a R$ 145 milhões, segundo noticiou a imprensa britânica no início do ano

Navio da classe Albion é uma das possibilidades de compra do Brasil ( Foto: Reprodução Ministério da Defesa do Reino Unido)

Navio da classe Albion é uma das possibilidades de compra do Brasil ( Foto: Reprodução Ministério da Defesa do Reino Unido)

Agência o Globo
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Publicado em 3 de abril de 2025 às 08h04.

Última atualização em 3 de abril de 2025 às 08h07.

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A Marinha do Brasil e a Marinha Real Britânica assinaram na terça-feira, 3, um acordo que dá início ao processo de aquisição dos navios HMS Albion e o HMS Bulwark pela Força brasileira. O protocolo de intenções foi firmado na edição deste ano da LAAD Defense & Security, feira militar que acontece no Rio de Janeiro.

Por meio de nota, a Marinha do Brasil destacou que os navios podem ser usados em operações de caráter humanitário e de respostas a emergências e calamidades públicas. A Força citou como exemplo as chuvas ocorridas em São Sebastião (SP) em 2023 e as enchentes no Rio Grande do Sul no ano passado.

A existência de negociações vislumbrando a compra dos navios já havia sido confirmada pela Marinha brasileira. Em fevereiro, o caso repercutiu na imprensa inglesa e virou alvo de controvérsia no parlamento britânico. As embarcações militares estariam sendo vendidas pelo equivalente a R$ 145 milhões, uma fração do valor gasto pelo Ministério da Defesa do Reino Unido com os Albion e o Bulwark nos últimos 14 anos.

"Há alguns anos, o Comitê de Defesa da Câmara dos Comuns descreveu a ideia de eliminar estes dois navios anfíbios importantes como analfabetismo militar", disse o parlamentar Mark Francois, do Partido Conservador, ao jornal The Daily Mail na ocasião. Francois ocupa a função de Ministro da Defesa das Sombras, cargo sem poderes executivos, mas que tem como dever fiscalizar as ações do titular da pasta.

"Dado o quanto o Ministério da Defesa gastou para reequipá-los nos últimos anos, vendê-los repentinamente a um preço de banana também é 'analfabetismo financeiro''", completou Francois ao jornal britânico.

Os navios teriam sido ofertados ao Brasil pelo valor de 20 milhões de libras, o equivalente a R$ 145 milhões. Em novembro de 2024, a atual ministra da Indústria de Defesa, Maria Eagle, afirmou que, desde 2010, o Albion e o Bulwark custaram £132,7 milhões (R$ 966 milhões) em reformas.

Em janeiro do ano passado, o então ministro britânico das Relações Exteriores, o conservador Andrew Mitchell, declarou que os dois navios não seriam descartados antes do planejado, no início da década de 2030. Na época, a aposentadoria do Albion e do Bulwark foi aventada como uma solução para liberar marinheiros para outros navios em meio a uma crise de recrutamento na Marinha .

Com a mudança de governo nos meses seguintes, os planos dos britânicos mudaram. Em 20 de novembro, o Secretário de Defesa John Healey, do Partido Trabalhista, anunciou que o Albion e o Bulwark seriam desativados. Os dois navios já se encontravam na prática fora de operação e custavam aos cofres públicos R$ 65 milhões ao ano:

"De acordo com o planejamento atual, nenhum dos dois deveria voltar ao mar antes das datas planejadas de desativação, em 2033 e 2034", disse Healey, segundo o jornal britânico.

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