Brasil

Moro acusa advogado de Lula de fazer "propaganda política"

A defesa questionou ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se o governo do presidente foi trouxe benefícios ao País

Lula: o magistrado vetou a pergunta, sob argumento que Zanin estava buscando ouvir opinião do ministro (Paulo Whitaker/Reuters)

Lula: o magistrado vetou a pergunta, sob argumento que Zanin estava buscando ouvir opinião do ministro (Paulo Whitaker/Reuters)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 10 de março de 2017 às 17h05.

Última atualização em 10 de março de 2017 às 17h09.

São Paulo - Em mais um embate com os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira, 10, durante audiência da Lava Jato, o juiz Sérgio Moro afirmou que o criminalista Cristiano Zanin Martins estava fazendo "propaganda política" do governo Lula e, por isso, vetou uma pergunta dele ao ministro da Fazenda Henrique Meirelles - arrolado pela defesa do petista na ação penal do caso tríplex.

"Pelos elementos que o sr. tem, o governo do presidente Lula foi um governo que trouxe benefícios ao País e não um governo que tenha buscado benefícios pessoais para os governantes e pessoas do alto escalão do governo?", indagou o advogado, na tentativa de rebater a tese da Lava Jato de que houve um grande esquema de corrupção orquestrado por Lula em seus mandatos presidenciais (2003/2010).

O magistrado vetou a pergunta, sob argumento que Zanin estava buscando ouvir opinião do ministro.

"Ele (Meirelles) responde sobre fatos apenas", disse Moro. "A impressão é que a defesa está fazendo propaganda política do governo anterior. Não é apropriado, aqui existe um objeto de acusação bem delimitado. Fica indeferida a pergunta."

Zanin negou. "Propaganda política não estou fazendo, excelência. Até porque eu sou advogado e não cabe a mim fazer nenhum tipo de consideração de natureza política. Eu só estou enfrentando a acusação difusa que o Ministério Público lançou nos autos."

Em sua última intervenção, o defensor questionou Henrique Meirelles se ele "teve conhecimento de algum elemento concreto que pudesse indicar a presença de uma estrutura criminosa de poder durante o governo do presidente Lula que tivesse o presidente Lula como comandante dessa estrutura criminosa".

"Eu não tive acesso a nenhum tipo de informação sobre isso, inclusive, porque não era o papel do Banco Central", declarou o ministro da Fazenda.

No fim da audiência, Moro brincou com Meirelles.

"Sr. ministro, agradeço mais uma vez a disposição de Vossa Excelência para responder essas questões. Sei que o tempo de Vossa Excelência é muito valioso, mas o Juízo também não tem perguntas a Vossa Excelência. Teria perguntas sobre Economia, mas não é o momento apropriado, está fora do objeto do processo. Deixamos para uma outra oportunidade eventualmente."

Acompanhe tudo sobre:Henrique MeirellesLuiz Inácio Lula da SilvaOperação Lava JatoPT – Partido dos TrabalhadoresSergio Moro

Mais de Brasil

Lula anuncia pagamento do Pé-de-Meia e gratuidade dos 41 remédios do Farmácia Popular

Denúncia da PGR contra Bolsonaro apresenta ‘aparente articulação para golpe de Estado’, diz Barroso

Mudança em lei de concessões está próxima de ser fechada com o Congresso, diz Haddad

Governo de São Paulo inicia extinção da EMTU