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Os estados com a melhor e a pior infraestrutura do Brasil

Estudo da Macroplan revela um salto no setor na última década — mas o Brasil ainda está longe de reverter anos de atraso em infraestrutura

Eletropaulo (Eletropaulo/Divulgação)

Eletropaulo (Eletropaulo/Divulgação)

Talita Abrantes

Talita Abrantes

Publicado em 2 de novembro de 2016 às 06h00.

Última atualização em 3 de novembro de 2016 às 14h36.

São Paulo — No ranking dos estados que oferecem a melhor malha de infraestrutura do país, São Paulo lidera (com folga) a primeira posição segundo o estudo da consultoria Macroplan “Desafios dos Estados”.

Com 93,5% de suas rodovias pavimentadas e o melhor desempenho no setor de energia e banda larga, o estado ficou com nota 0,958 em uma escala que vai de 0 a 1 em que quanto mais perto de 1, melhor a infraestrutura em um dado local. O Rio de Janeiro, que está em segundo lugar, ficou com nota de 0,848 – mais de 100 pontos a menos que os paulistas.

Os números da Macroplan revelam um salto no setor na última década. Em 2004, a situação era crítica em 18 estados, que marcavam uma taxa menor ou igual a 0,548, considerada crítica pelo estudo. Em 2014, apenas cinco estavam nessa situação.

O caso do Rio Grande do Norte é emblemático. A nota do estado avançou cerca de 40% na última década e o tirou da zona de desempenho crítico para o pelotão dos 10 estados com os melhores indicadores de infraestrutura do país.

O estado é o único da região nordeste a figurar entre os com as melhores notas nessa área.

“Isso se deve a dois fatores. O Rio Grande do Norte privatizou sua empresa de energia elétrica e tem uma tradição de conservar suas rodovias”, afirma Cláudio Porto, presidente da Macroplan. “Quanto menor for a presença estatal, maior a chance de que a infraestrutura tenha melhores indicadores de capacidade e qualidade”.

Por outro lado, dois estados perderam 9 e 7 posições no ranking, Goiás e Acre, respectivamente por perdas nos indicadores de energia elétrica e telecomunicações.

Os avanços estaduais nos últimos 10 anos, contudo, não foram suficientes para tirar o Brasil do quadro de atraso no setor. Segundo cálculo da consultoria InterB para o anuário EXAME de infraestrutura, o país precisaria investir 340 bilhões de reais por 20 anos seguidos para chegar a um patamar infraestrutura semelhante ao de países como Portugal.

Veja a evolução dos estados em uma década.

Infográfico do Ranking de Infraestrutura Macroplan - 2014 - 2004

Para chegar ao ranking, a Macroplan levou em conta o desempenho dos estados em seis variáveis: proporção de rodovias pavimentadas, qualidade das rodovias, acesso à internet, domicílios com pelo menos um telefone fixo/celular, número de interrupções de fornecimento de energia elétrica por ano e horas por ano que os usuários passam sem acesso à energia elétrica.

Estradas

Em 2015, o Brasil tinha 61% de suas rodovias pavimentadas. São Paulo, por sua vez, apresentava 93,5% de suas estradas com asfalto, enquanto o Mato Grosso, apenas 29%.

Entre 2005 e 2015, o Acre foi o estado onde a proporção de vias pavimentadas mais aumentou  – passou de 42,4% para 72,5%. Apesar do crescimento, apenas 8,3% das rodovias do Acre foram avaliadas como boas.

Comunicações

O Distrito Federal é a unidade da federação com mais pessoas com acesso à internet (76% acessaram a web nos últimos três meses) e posse de telefone fixo ou celular (98,9% dos domicílios têm pelo menos um aparelho do tipo). No extremo oposto, está o Maranhão, onde apenas 31.8% dos moradores afirmam que utilizaram a internet nos últimos três meses e 77,7% dos domicílios possuem celular ou telefone fixo.

Energia elétrica

São Paulo é o estado que teve apenas 4 interrupções do fornecimento de energia elétrica em 2014 que deixaram os consumidores 8 horas sem luz. No Amapá, por sua vez, foram 58 interrupções e o número de interrupções foi de 58 e 70 horas anuais sem energia.

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