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Relatório traz perfil de perseguido na ditadura

A maioria das vítimas de perseguições políticas era homem, não nascida no Rio e foi perseguida pela primeira vez quando tinham entre 26 e 30 anos


	O mais comum de perseguição foi demissão (24%), seguido por prisão (17%), inquérito policial militar (14%), processo penal militar (10%), monitoramento (10%) e tortura (5%)
 (Scott Olson/Getty Images)

O mais comum de perseguição foi demissão (24%), seguido por prisão (17%), inquérito policial militar (14%), processo penal militar (10%), monitoramento (10%) e tortura (5%) (Scott Olson/Getty Images)

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Da Redação

Publicado em 25 de outubro de 2014 às 10h16.

Rio - A Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro divulgou ontem relatório com estatísticas sobre o perfil das vítimas de perseguições políticas entre 1946 e 1988 no estado.

O universo analisado foram as pessoas que, pessoalmente ou por meio de representante, pediram reparação à Comissão de Anistia, órgão federal criado em 2001 e subordinado ao Ministério da Justiça.

"O maior número de perseguições foi registrado entre 1964 e 1967. Isso mostra que os trabalhadores já sofriam forte repressão desde o início", disse o presidente da comissão, Wadih Damous.

Dos 73 mil requerimentos apresentados à Comissão de Anistia, 10.559 diziam respeito ao Estado do Rio. Mas, quando os dados ficaram à disposição da comissão, apenas 986 haviam sido analisados por completo. Desses, a comissão selecionou 69 casos, para uma pesquisa qualitativa.

A maioria das vítimas de perseguições políticas era homem, não nascida no Rio e foi perseguida pela primeira vez quando tinham entre 26 e 30 anos. Outros 26% tinham de 31 a 40 anos. Em 17% dos casos, as vítimas tinham entre 18 e 25 anos ou de 41 a 60 anos.

O período com maior incidência de casos foram os quatro primeiros anos da ditadura, de 1964 a 1967: 42% das perseguições. De 1968 a 1973 foram 28% dos casos; 10% ocorreram entre 1974 e 1978; e 8% de 1979 a 1988. Entre as vítimas, 48% eram nascidas no Rio; 10% eram mineiras; 6% paulistas; e 6% pernambucanas.

Os profissionais mais atingidos foram servidores públicos (10%), seguidos por jornalistas (8%) e professores (5%). A maioria mantinha intensa atividade social, militando em partidos, grupos políticos ou sindicatos.

Em média, cada vítima foi alvo de dois tipos de perseguição. O mais comum foi demissão (24%), seguido por prisão (17%), inquérito policial militar (14%), processo penal militar (10%), monitoramento (10%) e tortura (5%). Os anistiados nem sempre ficavam presos em cadeias comuns. Um dos lugares utilizados como prisão no Estado do Rio foi o ginásio Caio Martins, em Niterói.

Os casos de tortura relatados nesses 69 pedidos de anistia se assemelham àqueles já divulgados desde o início dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade e das comissões estaduais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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