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Rio tem tarde de 40ºC e pode ter segunda-feira ainda mais quente

Cidade pode chegar a índice inédito de calor, alcançando o nível 4 nos próximos dias

Agência o Globo
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Publicado em 16 de fevereiro de 2025 às 17h34.

Última atualização em 16 de fevereiro de 2025 às 17h36.

Em meio a uma onda de calor, os termômetros cariocas ultrapassaram os 40ºC. Segundo o sistema Alerta Rio, em Irajá a temperatura máxima foi de 40,4º — a segunda maior de fevereiro. O calor levou os cariocas e turistas lotarem as praias e parques da cidade em busca de um refresco.

E segundo a previsão do tempo, o forte calor deve permanecer na cidade nos próximos dias. Nesta segunda-feira, a máxima prevista é de 42ºC em bairros da Zona Norte e Oeste da cidade. Não há previsão de chuvas.

A previsão acima dos 40 graus para a próxima semana pode colocar a cidade do Rio no nível 4 de calor (NC4), índice ainda inédito na capital. Segundo o chefe-executivo do Centro de Operações da Prefeitura do Rio, Marcus Belchior, a medição só deve acontecer se o índice de umidade estiver baixo, o que acenderia um alerta de estresse climático. Na manhã deste domingo, o prefeito Eduardo Paes organizou uma coletiva a respeito do tema, afirmando que os eventos de fevereiro, quando começa oficialmente o carnaval, estão mantidos e que os cuidados com a saúde devem ser redobrados.

Ao falar sobre a possibilidade do nível 4 de calor, Paes pontuou que as altas temperaturas se concentram, principalmente, nesta segunda e terça-feira. O recorde, até o momento, aconteceu em fevereiro de 2023, quando foram registrados 41,8 graus na Estação de Irajá. O calor também estará presente em outros estados, como São Paulo, onde a máxima prevista é de 38 graus. A Defesa Civil paulista chegou a emitir um alerta para a população evitar a exposição solar.

"A ciência hoje nos permite ter um grau maior de previsibilidade e entender os efeitos nocivos desse excesso de calor na saúde das pessoas. Além dos riscos que isso pode ocasionar, podendo levar até a morte. A gente quer que saia todo mundo de casa feliz, curtindo a nossa cidade. Não é à toa que o Rio é a cidade dos espaços públicos, das praias. Isso nos orgulha, faz parte da nossa cidade, e não vai mudar, mas há uma situação de mais calor. Então, temos uma previsão de muito calor, muito sol, e, por consequência, os riscos aumentam", concluiu o prefeito.

Paes também frisou que a prefeitura não vai cancelar eventos na cidade, estando a decisão a cargo dos organizadores. Como exemplo, ele citou a postura da Beija-Flor de Nilópolis, que cancelou o ensaio previsto para este domingo, na Praia de Copacabana, na Zona Sul. O motivo apresentado pela agremiação foi o "calor extremo":

"Estamos a poucos dias do nosso grande desfile e proteger nossa comunidade é nossa maior responsabilidade. Diante do alerta da Defesa Civil e das recomendações dos órgãos de saúde, não poderíamos expor nossos integrantes e o público a uma situação de risco", justificou o presidente da azul e branco, Almir Reis. Não deve haver uma nova data para o ensaio, segundo decisão da escola.

Ainda no tópico carnaval, o prefeito descartou a possibilidade de interferir na agenda dos blocos de rua:

"Nós não vamos de maneira nenhuma chegar aqui e dizer "olha, vamos suspender os blocos de carnaval do Rio de Janeiro", que sempre tiveram uma temperatura de 70 graus à sombra. Qualquer pessoa que já pulou, brincou num bloco de carnaval da cidade sabe do que eu estou falando. Mas a gente pode chamar a atenção dos foliões para que eles bebam mais água, se hidratem melhor, tomem certos cuidados, busquem estar em lugares em que o risco à saúde seja menor", reforçou.

Para aliviar a sensação térmica, Paes confirmou que haverá pontos de resfriamento abertos à população, como as naves do conhecimento e postos de saúde, caso a cidade alcance o NC4. Além disso, haverá também intervalos para hidratação de funcionários que trabalham expostos ao sol e preparação da rede de saúde municipal para o aumento de atendimentos por desidratação, principalmente em idosos e crianças.

Recorde de calor

Durante uma apresentação de dados, o chefe-executivo do COR, Marcus Belchior, revelou que um estudo do Serviço de Mudança Climática Copernicus concluiu que janeiro passado foi o mais quente já registrado na história, com temperatura média mundial de 13,23 graus, superando em 0,79 grau a média entre 1991-2020.

Além disso, ele destacou que nos 45 primeiros dias deste ano, 27 estiveram com nível de calor fora do NC1, quando o índice de calor é maior do que 36 graus. Na fala, ele explicou que a mudança para um nível mais crítico só acontece se o aumento de temperatura estiver aliado à baixa umidade:

"Às vezes, as pessoas perguntam 'ah, estamos com 42 graus de temperatura, não vai mudar o nível de calor?' Não, porque a umidade também interfere nisso. Só muda de nível quando o índice, que é a relação entre temperatura e umidade, estiver acima de 40 graus. No caso do NC5, acima de 44 graus. No início do ano, foram 27 dias fora do NC1, o que aponta a elevação do nosso índice. E essa é uma tendência para o mês de fevereiro, que também aponta ser um dos mais secos do ano".

De acordo com o Alerta Rio, este mês de fevereiro deve ser um dos mais secos já registrados. A média de chuva até o momento é de 0,5mm.

A explicação de Belchior chegou a ser interrompida algumas vezes por Paes que, bem-humorado, pediu para que os técnicos mudassem oficialmente a nomenclatura "NC1" para "Calor 1", e assim sucessivamente, para facilitar a compreensão.

Atendimentos por desidratação

Também presente na coletiva, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, revelou que o número de atendimentos por desidratação aumento na rede pública municipal. Somente em janeiro, foram mais de 3 mil casos, principalmente com idosos e crianças. Dois bebês receberam o diagnóstico, que pode ter sido causado por excesso de roupa.

"Idosos, crianças e bebês tendem a desidratar muito rápido, tanto por sentirem e verbalizarem menos a sensação de sede, quanto por usarem muito roupa. Então, eles acabam sendo maioria nos atendimentos por desidratação, que têm aumentado muito nas emergências do município", explicou.

Soranz também listou uma série de medidas para as pessoas se atentarem durante o período de mais calor na cidade:

"Pessoas com cerca de 60kg devem ingerir no mínimo dois litros de água por dia. Aquelas com mais de 100kg, devem priorizar entre três a três litros e meio de água. É fundamental usar filtro solar, os certificados pela Anvisa, claro. Também recebemos muitos casos na emergência de pessoas que usam protetor solar e bronzeadores de base caseira, que geram queimaduras de primeiro, segundo ou terceiro grau. O mesmo acontece com as ceras de cabelo durante o carnaval, já que o calor derrete o material e acaba entrando nos olhos. De dezembro para cá, foram 200 casos assim só no Souza Aguiar".

O secretário reforçou a necessidade de evitar atividades físicas ao ar livre em horários de pico de calor e o cuidado redobrado com os animais de estimação:

"Hipertensos, diabéticos e pessoas com insuficiência cardíaca podem descompensar mais nesse período de calor, então, é muito importante que se tomem os remédios de forma correta. Também chamamos atenção para o cuidado com os pets, que precisam de muita água e podem até queimar as patinhas no chão quente. De qualquer forma, todo mundo que tiver sintomas de doenças comuns do verão, procure uma unidade de saúde, estamos equipados com hidratação venosa e oral".

Cuidados na folia

O carnaval de rua no Rio acontece simultâneo às máximas de calor. Neste domingo, foliões do Bloqueen estiveram no Coreto Modernista, no Aterro do Flamengo, Zona Sul, para homenagear o Rock, gênero característico do bloco. Para aproveitar o bloco em segurança, muitas pessoas priorizam acompanhar a folia debaixo da copa das árvores.

No caso de Fernanda de Oliveira, no bloco com duas amigas, a alternativa foi exagerar no protetor solar. Diferente dos últimos anos, ela tem dado preferência à folia matutina, quando as temperaturas estão mais amenas:

"Eu queria muito ter ido no Desliga da Justiça ontem, mas o calor do Centro me fez desistir. Até comentei com as minhas amigas isso, estamos preferindo os blocos da manhã e pela Zona Sul, onde é mais arborizado. De tarde, só se o bloco for na sombra", explicou.

Rauzen Cunha foi além do protetor solar. Para se proteger efetivamente, resolveu usar uma blusa com proteção UV. Bebida alcoólica nem pensar, e a curtição somente pela sombra:

"A gente fala da água, mas ela sozinha não resolve tudo. Não está só quente, e sim muito seco também. Eu gosto muito de carnaval, mas sempre que venho aos blocos, me protejo muito" disse.

Ao lado dele, estava a esposa Cláudia Cunha, entusiasta das músicas do Bloqueen.

"A gente só veio pra esse porque sabíamos que ia ter árvore, tem um ventinho. Os do Centro são muito legais, mas o asfalto quente espanta".

Primeiro carnaval trabalhando como ambulante, Vitor Santos conta que a bebida mais procurada no Bloqueen é a água. A percepção também é compartilhada por outros colegas, que explicam ser consequência do calor e do perfil mais familiar do bloco:

"Desde que eu cheguei, a bebida mais vendida é a água. É um bloco com muita criança, pessoas mais velhas, então, o perfil também pede por bebidas sem álcool e, como tá quente, a água sai na frente".

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