Brasil

Sem quórum, Câmara não vota projeto da dívida dos Estados

O relator do projeto na Câmara, deputado Espiridião Amin (PP-SC), chegou a ler em plenário a versão que seria votada pelos deputados

Câmara: "Não teve quórum, o acordo de votação até houve, plenário esvaziado", disse Amin (Agência Brasil/Agência Brasil)

Câmara: "Não teve quórum, o acordo de votação até houve, plenário esvaziado", disse Amin (Agência Brasil/Agência Brasil)

R

Reuters

Publicado em 15 de dezembro de 2016 às 15h30.

Brasília - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), encerrou, pouco depois das 14h, sessão para votação do projeto de alongamento da dívida dos Estados junto à União, em meio à demora para um acordo para apreciação da matéria após endurecimento do texto pelo Senado.

O relator do projeto na Câmara, deputado Espiridião Amin (PP-SC), chegou a ler em plenário a versão que seria votada pelos deputados após longas conversas em busca de consenso.

Ela suprimia as contrapartidas que foram acrescentadas pelo Senado em votação na véspera, mas mantinha o Regime de Recuperação Fiscal para os Estados em pior situação de caixa, incluído pelos senadores.

"Não teve quórum, o acordo de votação até houve, plenário esvaziado", disse Amin a jornalistas. "Isso deveria ter sido votado ontem à noite", lamentou.

Para Amin, pode ser que seja possível a votação da matéria na próxima semana, apesar de o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), já ter dito que os trabalhos legislativos deste ano se encerrariam nesta quinta-feira.

Oficialmente, o recesso dos parlamentares começa no dia 23 de dezembro.

E a pressão dos governadores, especialmente dos Estados em maior dificuldade financeira, é grande, com alguns deles ligando para deputados durante a sessão. A secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi, também estava no plenário, acompanhando a sessão.

Senado

Na noite de quarta-feira, os senadores aprovaram versão do projeto que foi alterado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), com a instituição de mais contrapartidas para os Estados alongarem suas dívidas junto à União por 20 anos, com carência e posterior desconto nas parcelas iniciais.

Entraram na proposta, por exemplo, a vedação à edição de leis ou programas de concessão de incentivo ou benefício tributário, além da suspensão para contratação de pessoal e a limitação das despesas com publicidade e propaganda a 50 por cento da média dos valores empenhados nos últimos três anos.

O texto também passou a incluir o novo Regime de Recuperação Fiscal, que foi apresentado pelo governo para dar um auxílio adicional aos Estados que apresentam finanças estranguladas.

Antes de ser apreciado no Senado, o projeto de lei já havia recebido sinal verde da Câmara, onde apenas uma contrapartida havia seguido de pé: a limitação, por dois anos, do crescimento das despesas públicas pela inflação do exercício anterior.

Segundo o deputado Pauderney Avelino (DEM-AM), a ideia nesta quinta era voltar à contrapartida única, suprimindo os acréscimos do Senado, com exceção do Regime de Recuperação Fiscal, que seria mantido.

Com essa formatação, o texto já poderia seguir para sanção presidencial após o aval dos deputados.

No entanto, parlamentares da própria base discordavam da investida.

O deputado Daniel Vilela (PMDB-GO) apontou que o afrouxamento nas contrapartidas apenas beneficiaria os Estados que não conseguiram fazer o dever de casa.

"Isso será premiar os maus pagadores", disse.

Acompanhe tudo sobre:Câmara dos DeputadosEstados brasileiros

Mais de Brasil

Lula demite Nísia; Padilha assumirá Ministério da Saúde

Defesa Civil emite alerta severo de chuvas para São Paulo na tarde desta terça

Tarcísio diz que denúncia da PGR contra Bolsonaro 'não faz sentido nenhum' e critica 'revanchismo'

Pé-de-Meia: como funciona o programa e como sacar o primeiro pagamento