(VioletaStoimenova/Getty Images)
Head da Beon - Colunista Bússola
Publicado em 2 de abril de 2025 às 07h00.
No Dia Mundial do Autismo, advogo em causa própria para afirmar: é fundamental refletir sobre e valorizar o papel de gestores neurodivergentes no mercado de trabalho e como sua atuação pode influenciar positivamente a dinâmica de equipes e empresas. Como está bem estabelecido pela literatura, lideranças que contam com perspectivas diversas tendem a estimular debates mais profundos e soluções mais abrangentes para problemas do dia a dia. Mas essa é uma verdade ainda pouco aplicada na prática.
Para quem faz esta aposta, contar com gestores autistas ou com outras neurodivergências traz benefícios que vão além da inclusão. A tendência de enxergar processos sob ângulos diferentes pode resultar em melhorias relevantes no modo como as tarefas são conduzidas e distribuídas, tornando os fluxos internos mais objetivos e eficientes.
Para que isso funcione, é necessário que os ambientes de trabalho respeitem diferentes modos de pensar, interagir e se expressar. Esse tipo de acolhimento não é sinônimo de privilégio, mas de estabelecer condições justas para que cada profissional trabalhe com plenitude. Organizações que implantam políticas de diversidade e inclusão veem, gradualmente, melhorias no clima de equipe, maior sensação de pertencimento e redução de barreiras internas para o desenvolvimento individual e coletivo.
O protagonismo de profissionais neurodivergentes na tomada de decisões costuma estar associado a uma cultura organizacional mais aberta, onde cada membro se sente incentivado a contribuir de acordo com suas aptidões. Ao criar espaços para que pontos de vista diversos sejam ouvidos e valorizados, a organização abre caminho para formas criativas de solucionar desafios, além de fortalecer a colaboração entre as áreas.
No fim das contas, apostar em gestores neurodivergentes significa reconhecer a riqueza que há na pluralidade de perfis. São detalhes que envolvem desde a forma de comunicar projetos até a definição de metas e a condução de reuniões. Se bem estruturadas, essas práticas podem reverberar de maneira positiva em todas as camadas de uma organização, reforçando valores como respeito, empatia e eficiência.
Neste Dia Mundial do Autismo, a pauta não deve se restringir apenas ao debate sobre inclusão, mas expandir para a compreensão de como diversos estilos de liderança podem contribuir para a evolução das empresas e da sociedade. Afinal, quando cada profissional encontra espaço para exercer seu potencial, todos saem ganhando.
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