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MindFlow: utilizando a neurociência para superar os desafios diários do trabalho

Entenda como equilibrar os pilares da resiliência e transformar adversidades em crescimento pessoal

Quando enfrentamos adversidades, nosso cérebro recorre aos circuitos neurais mais desenvolvidos chamados pela neurociência de "caminhos de menor resistência" (foto/Thinkstock)

Quando enfrentamos adversidades, nosso cérebro recorre aos circuitos neurais mais desenvolvidos chamados pela neurociência de "caminhos de menor resistência" (foto/Thinkstock)

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Publicado em 3 de abril de 2025 às 13h00.

Por Cecilia Ivanisk, CEO da Learn to Fly

Você se considera uma pessoa resiliente? Antes de responder, faça uma reflexão honesta: quando aquela promoção esperada não chegou, ou quando seu relacionamento desmoronou sem aviso prévio, ou ainda, quando a pandemia virou sua vida de cabeça para baixo… você realmente conseguiu se adaptar, ou apenas sobreviveu usando as mesmas estratégias de sempre? A verdade incômoda é que a maioria de nós tem um "modo padrão" para lidar com problemas, e isso pode ser nosso calcanhar de Aquiles.

A resiliência é muito mais do que simplesmente "aguentar firme" ou "seguir em frente". Estudos mostram que ela é uma capacidade psicológica complexa, formada por oito habilidades que precisam ser desenvolvidas e funcionar em harmonia. E é aí que está o desafio!

Como nosso cérebro economiza energia (e por que isso pode ser um obstáculo)

Quando enfrentamos adversidades, nosso cérebro recorre aos circuitos neurais mais desenvolvidos chamados pela neurociência de "caminhos de menor resistência". Pesquisas conduzidas pelos pesquisadores Ed Bullmore e Olaf Sporns, publicadas na Nature Reviews Neuroscience, revelam que nosso cérebro é programado para economizar energia, priorizando rotas neurais já consolidadas em vez de criar novos caminhos.

É como dirigir sempre pelo mesmo caminho para o trabalho: você nem precisa pensar, vai no automático. O problema é que, ao superutilizar apenas um ou dois aspectos da resiliência, deixamos outros subdesenvolvidos. E é justamente nesse desequilíbrio que reside nossa vulnerabilidade.

Temos a tendência de usar excessivamente nossas forças e deixar áreas complementares pouco desenvolvidas, o que acaba criando um sistema desequilibrado para enfrentar desafios. E aqui não estou falando dos nossos talentos, daquilo que fazemos bem, mas sim de nossas estratégias psicológicas de enfrentamento, aqueles mecanismos internos que acionamos, muitas vezes inconscientemente, quando o mundo nos desafia.

São estes pilares de resiliência que determinam não apenas se superaremos uma crise, mas como sairemos dela: quebrados ou fortalecidos.

As oito habilidades que sustentam nossa capacidade de resiliência

A psicologia identificou oito pilares distintos que, juntos, compõem nossa capacidade de superar desafios. São eles:

  1. Autoconfiança: nossa postura diante dos obstáculos 
  2. Autoeficácia: nossa capacidade de executar tarefas específicas 
  3. Controle emocional: nossa habilidade de regular e direcionar emoções 
  4. Reflexão: nossa capacidade de análise racional das situações 
  5. Integridade: nosso alinhamento com valores pessoais profundos 
  6. Empatia: nossa leitura emocional do ambiente e das pessoas 
  7. Sociabilidade: nossa habilidade de criar e acessar redes de apoio 
  8. Visão otimista: nossa tendência a enxergar possibilidades positivas 

Você consegue identificar quais são seus pilares mais desenvolvidos? E mais importante: quais estão subdesenvolvidos?

Por que você pode estar sabotando sua resiliência

Imagine um executivo com extraordinária capacidade de reflexão, mas com baixa sociabilidade. Diante de uma dificuldade, ele analisa o problema, cria planilhas, mapeia cenários... mas se isola completamente, perdendo o suporte emocional e as perspectivas que outras pessoas poderiam oferecer.

O fato é que em momentos de crise, não conseguimos improvisar habilidades de enfrentamento que nunca praticamos e acabamos pegando o caminho que nos é comum e chegando aos mesmos lugares de sempre. A nova rota que nos levará mais longe é construída a partir do equilíbrio desses pilares, os que já são naturalmente fortes e aqueles que damos menos atenção.
Há uma sabedoria aqui: nossa resiliência depende da sinergia entre diferentes habilidades. Então eu te convido: ao olhar para os oito pilares, você consegue identificar como está o equilíbrio entre eles? Quais são naturalmente fortes para você e quais precisam de mais atenção?

A resiliência não é um troféu a ser ganho, mas uma prática diária de equilíbrio. Quando a próxima tempestade chegar, não será apenas um pilar isolado que determinará sua trajetória, mas a integração entre todos eles. A verdadeira força não está em permanecer inabalável em um único aspecto, mas em saber reconstruir-se de forma completa e equilibrada, após cada queda.

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