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Boxe, academia e até yoga: como a petroleira Prio inova a rotina do trabalho em alto-mar

Há 10 anos no mercado brasileiro, a petroleira aposta em bem-estar, autonomia e cultura de dono para atrair talentos para o setor de óleo e gás

Funcionários da Prio fazendo yoga e alongamento na plataforma em alto-mar (PRIO /Divulgação)

Funcionários da Prio fazendo yoga e alongamento na plataforma em alto-mar (PRIO /Divulgação)

Publicado em 3 de abril de 2025 às 11h44.

Última atualização em 3 de abril de 2025 às 11h51.

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A Prio, petroleira brasileira que atua na produção de óleo e gás, tem apostado em uma combinação de desempenho financeiro e gestão de pessoas para sustentar sua expansão. Em 2024, a empresa registrou lucro líquido de US$ 1,74 bilhão — alta de 54% em relação ao ano anterior — e receita de US$ 2,4 bilhões, uma queda de 5% na comparação com 2023. A compra de 40% do campo de Peregrino foi um dos destaques do ano, segundo a companhia, que encerrou o período com alavancagem de 1,2 vez dívida líquida/EBITDA e posição de caixa de US$ 645 milhões. Neste ano em que completa uma década de atuação, a expectativa também é de expansão. A empresa prevê investir aproximadamente R$ 6 bilhões no campo de Wahoo, no Espírito Santo, com início de operação previsto para o segundo semestre de 2025.

Com ações negociadas na bolsa e metas ambiciosas de crescimento e atração de talentos, a companhia trata a cultura organizacional como parte estratégica do negócio. Em um setor ainda marcado por estruturas hierárquicas e pouca diversidade, a Prio aposta em um modelo de gestão que combina plano de carreira, remuneração por performance e iniciativas de bem-estar — tanto para os profissionais que atuam no escritório quanto para os que trabalham embarcados em alto-mar.

Hoje, já é comum o expediente na Prio começar com alongamento e terminar, às vezes, com aulas de yoga. Há também boxe, jiu-jitsu, alimentação saudável e até macacão refrigerado para o calor das plataformas offshore. Não é exagero dizer que, em pleno oceano, a rotina dos funcionários lembra mais a de uma startup carioca do que a de uma petroleira tradicional. E essa é justamente a intenção.

“Quando criamos a Prio, queria deixar para trás o que adoeceu outras empresas do setor: bônus sem resultado, salas com portas fechadas, pouca diversidade e muita hierarquia”, diz Nelson Queiroz Tanure, fundador e presidente do Conselho da companhia. “Aqui, as pessoas viram sócias. E só recebem variável se a empresa performa.”

A origem da empresa em meio ao caos

Há dez anos, especificamente em janeiro de 2015, a Prio foi fundada no meio de uma tempestade perfeita. A Petrobras enfrentava crises, o setor de óleo e gás estava desacreditado e ninguém queria investir - nem trabalhar - em uma petroleira nova, conta Tanure.  "No primeiro programa de estágio da Prio, quando a empresa ainda tentava se firmar no setor, havia onze vagas abertas, mas o fundador lembra que apenas três pessoas se candidataram".

A empresa surgiu dos destroços da antiga HRT e traçou um caminho alternativo: focar apenas em campos maduros e operar com eficiência, sem correr o risco de exploração, afirma o executivo. “Estudamos o que deu errado nas outras e decidimos fazer o contrário”, diz o fundador, que cresceu em uma casa de negócios, já que é filho do investidor Nelson Sequeiros Rodriguez Tanure. “Eu via meu pai tentar reerguer empresas e via o que fazia uma companhia adoecer. Também me formei indo e vindo entre o Brasil e os Estados Unidos, onde empreender é quase cultura nacional.”

Nelson Queiroz Tanure, fundador e presidente do Conselho da Prio: “Eu queria mais pessoas mais jovens com sede de aprender e nativas em IA e mais veteranos com cabeça aberta” (PRIO/Divulgação)

O “gás” que os funcionários precisam

Mais do que petróleo, Tanure diz entender de gestão e de gente, e para isso precisou pensar em iniciativas junto com o RH para dar o “gás” que os funcionários precisavam para se manter na empresa e contribuir para o crescimento do negócio.

Desde o início, o plano era simples: montar um time técnico, enxuto e motivado. “Todo mundo dizia que ia dar errado. A gente ouvia, incorporava o que fazia sentido e seguia com foco e disciplina.”

Hoje, a Prio tem um modelo de remuneração baseado em ações, metas de longo prazo e incentivo à autonomia. O funcionário que manda bem cresce rápido. O que não se adapta, sai rápido também. “Nosso plano de carreira é esse. Aqui não tem comitê, não tem ata. Tem a palavra e uma barra alta de dedicação.”

Se a lógica da eficiência move a produção, o cuidado com o time move a cultura. As plataformas em alto mar, chamadas de “campos”, têm colchões confortáveis, sinal de internet excelente e até aulas de yoga, jiu-jitsu, meditação e academia. Isso tudo para ajudar os funcionários que trabalham na plataforma e precisam seguir uma jornada diferente: duas semanas em alto mar, e duas semanas de folga.

Essas pessoas que trabalham nas plataformas de petróleo offshore (como as da Prio) exercem funções essenciais para manter a operação 24h por dia, com foco em segurança, produtividade e manutenção dos sistemas. As ações variam conforme a área, mas podem ser organizadas em três grandes grupos: manutenção, produção e hotelaria, além da área de segurança.

“Já ouvimos histórias de pessoas que superaram depressão embarcadas, graças ao yoga”, conta Tanure. “Queremos produtividade, mas também focamos em tratar os outros como gostaríamos de ser tratados", diz Tanure, que afirma que em 10 anos, a Prio passou de 90 para mais de 1.000 funcionários, entre próprios e terceiros -  sendo 49% no escritório e 51% offshore.

No escritório, a jornada é um pouco diferente

No escritório, localizado no bairro do Botafogo, com 6 andares (sendo um só de academia), a aposta do RH para gerar um clima leve para os funcionários que estão 100% no regime presencial foi criar um ambiente aberto, com menos salas e mais atividades como yoga, teatro e pouca formalidade. “Queremos menos e-mails, menos reuniões e mais interações significativas. Até as camisas da empresa viraram queridinhas. A gente faz até para os filhos dos funcionários,” diz Tanure.

Hoje, Tanure lembra do primeiro programa de estágio da Prio, aquele com apenas três candidatos, como uma lição superada. O último programa, por exemplo, teve mais de 10 mil inscritos. Ainda assim, Tanure não se engana.

“O setor de petróleo não é o mais sexy para a nova geração, mas a Prio pode ser. Porque aqui, mais do que perfurar poços, a gente constrói possibilidades de crescimento de carreira.”

Os talentos que faltam

O setor de petróleo ainda é majoritariamente masculino, mas o cenário e a presença de mulheres nele tem mudado nos últimos anos. Segundo Tanure, no escritório da Prio, quase 40% dos funcionários são mulheres - mas o seu maior desafio da companhia, segundo o executivo, é encontrar pessoas extraordinárias no mercado, independente do gênero e idade.

“Eu queria mais dos dois: pessoas mais jovens com sede de aprender e que sejam nativas em IA e mais veteranos com cabeça aberta. Porque a diferença entre conhecimento e sabedoria é essa: conhecimento você adquire num livro; sabedoria, na experiência.”

O segredo, no final, está em oferecer um trabalho com propósito, oportunidades de crescimento e de pertencimento. “Nada substitui uma pessoa inteligente e com muita vontade. Se ela quer aprender, a Prio é o lugar. Oferecemos um oceano de oportunidades para quem quer crescer junto com a gente.”

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