O Copacabana Palace tem 102 anos de história e atualiza sua gestão de pessoas para atrair e manter profissionais de diferentes gerações (Copacabana Palace/Divulgação)
Repórter
Publicado em 29 de novembro de 2025 às 08h28.
Criado em 1923, o Copacabana Palace, que pertence ao Grupo Belmond) traz tradição em sua arquitetura e estrutura de luxo. São mais de 100 anos recebendo autoridades e celebridades, como a rainha Elizabeth II do Reino Unido, o empresário Walt Disney, o cantor Bob Marley (que até escreveu uma música no hotel) e brasileiros famosos como Carmen Miranda, Pelé e Ayrton Senna. Neste ano, Lady Gaga foi uma das hóspedes. Mas receber famosos até então não é novidade para o hotel que tem um dos espaços mais disputados do Brasil na virada do Ano Novo.
O que chama atenção neste ano é a nova escala de trabalho: cerca de 90% dos 600 funcionários passaram a ter a escala de trabalho 5x2 desde maio deste ano. A exceção fica para os seguranças, que seguem no regime 12x36, por necessidades específicas da função.
Os dois dias de folgas, que não é tão comum no setor da hotelaria (que costuma operar na escala 6x1), mostra um movimento das empresas repensando na gestão de pessoas - o Palácio Tangará também passou a praticar neste ano a escala de trabalho com duas folgas na semana. No caso do Copacabana, Guillaume Lemarchand, diretor de Recursos Humanos do hotel, afirma que o momento é de reformas – tanto na gestão quanto da estrutura do hotel.
“O foco do 5x2 é bem-estar, equilíbrio e saúde mental. Aqui não trabalhamos com máquinas. A autenticidade do serviço depende das pessoas, e para manter essa excelência, precisamos cuidar delas”, afirma o executivo que é francês, mas trabalha no Brasil há 18 anos.
Os setores mais impactados são justamente os que sustentam a experiência de luxo do hotel: cozinhas, salão, hospedagem, recepção e operações de back of house.
A implementação não exigiu no momento a abertura de muitas vagas para sustentar a operação com dois dias de folga semanais, uma vez que um complexo com 96 quartos está em reforma desde abril deste ano e deve ficar pronto apenas em novembro de 2026.
“É uma reforma muito grande. Quando terminar, certamente vai gerar mais impacto na evolução do nosso quadro de funcionários e estamos justamente nos preparando para isso, para crescer de forma saudável,” diz o executivo de RH que reforça que a escala 5x2 será mantida de forma fixa inclusive durante as festas de fim de ano e grandes eventos, como o Carnaval, a Copa do Mundo e os feriados prolongados previstos para o próximo ano.
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A estrutura de benefícios do Copacabana Palace busca dar a atenção especial para aqueles que servem diariamente seus clientes. Entre os benefícios, o hotel oferece a partir de meia noite o Uber corporativo para o retorno do funcionário para casa, licença paternidade para seus funcionários de 14 dias, auxílio creche aos funcionários que tem filhos com até 1 ano de idade, e espaço para amamentação e para descanso na hora do almoço. Além disso, o hotel tem um plano de carreira e por isso oferece três benefícios voltados para o desenvolvimento profissional e recompensa:
“Lá, encontram cursos de excelência em hospitalidade, liderança e atendimento, além de formações reconhecidas mundialmente, incluindo módulos inspirados na Harvard Business School”, afirma o executivo.
“Para garantir engajamento, os funcionários contribuem com uma parcela simbólica”, diz o executivo que reforça que está estudando implementar treinamentos de idiomas com inteligência artificial.
“É um programa único. O funcionário vivencia o luxo que entrega aos nossos hóspedes”, diz o executivo de RH.
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O Copacabana Palace, segundo Lemarchand, é um hotel onde cada gesto, tom de voz e postura contam — independentemente de o hóspede ser um turista anônimo ou uma celebridade internacional.
“Hospitalidade é consistência. Não adianta entregar um dia extraordinário e, no outro, fracassar. E o 5x2 ajuda muito nisso. Descansar melhora o foco, o humor e o controle emocional.”
No salão, na recepção e nas cozinhas, a exigência é alta — e a folga mais frequente reduz estresse, melhora a estabilidade emocional e garante padrão de excelência.
A diversidade do público, que reúne jovens aprendizes, estagiários e profissionais com mais de 40 anos de casa, mostra que o hotel abriga um desafio de atender as necessidades de cada geração.
“Mantemos cotas de pessoas com deficiência, investimos em diversidade e concentramos esforços na próxima geração, uma vez que a hotelaria é a porta de entrada de muitos brasileiros”, afirma o executivo. “Mais de 50% dos aprendizes são efetivados”.
Vindo de áreas como logística, atendimento e até hospitalidade hospitalar, Lemarchand diz que já foi garçom, arrumador e lavador de pratos em diferentes países. Hoje, como líder de RH, ele entende como o setor está se transformando: de uma área operacional para um setor que é estratégico para o negócio.
“O RH está se humanizando. A gente saiu da área operacional para o apoio estratégico ao negócio. People first significa colocar o funcionário no centro. Trabalhar com o coração, com amor pelo trabalho bem-feito.”
No hotel mais icônico do país, onde cada gesto vira experiência, o executivo afirma. “Só é possível entregar excelência quando quem cuida também é cuidado”. E a escala 5x2 — rara na hotelaria - é hoje o símbolo mais forte dessa mudança.