mpresas usam plataformas de crowdsourcing para cocriar soluções com consumidores, startups e comunidades especializadas.
Publicado em 31 de março de 2025 às 17h56.
A busca por inovação constante tem levado empresas a abrir suas fronteiras criativas. A técnica de crowdsourcing, que envolve a captação de ideias, soluções ou serviços por meio de uma comunidade externa, tornou-se uma estratégia eficiente para inovar com menor custo e maior agilidade.
O termo surgiu da junção das palavras crowd (multidão) e outsourcing (terceirização), e descreve uma prática em que empresas recorrem a grupos diversos — e não só a times internos — para resolver problemas e desenvolver produtos. Na prática, funciona como uma chamada aberta. A companhia apresenta um desafio, e pessoas externas propõem respostas.
Esse modelo pode ser usado em diversas áreas, como design de produto, marketing, tecnologia e até logística. A vantagem está na diversidade de perspectivas, no acesso a competências complementares e na proximidade com o consumidor final.
Entenda mais sobre o assunto e veja como aplicar essa metodologia na sua empresa.
Entre os principais ganhos de aplicar essa técnica está a aceleração de ciclos de inovação, já que múltiplas soluções são testadas em paralelo.
Além disso, o método reduz custos operacionais, pois grande parte das contribuições vêm de forma espontânea ou com prêmios menores do que os investimentos tradicionais em P&D. Outro benefício é o engajamento direto com consumidores e especialistas, gerando produtos mais alinhados às expectativas do mercado.
A adoção do crowdsourcing requer mais do que uma chamada aberta na internet. Para que a estratégia resulte em soluções efetivas, é necessário planejamento, clareza nos objetivos e gestão ativa da comunidade envolvida. A seguir, os principais passos para estruturar essa abordagem:
O ponto de partida deve ser a identificação de um problema ou oportunidade real dentro da empresa. Isso exige clareza sobre o que se busca — seja uma nova funcionalidade de produto, um nome de marca ou uma solução logística.
Quanto mais específico for o desafio, maior a qualidade das contribuições recebidas. A definição precisa ajuda a alinhar expectativas e orientar os participantes.
Empresas podem utilizar plataformas próprias, como portais de inovação aberta, ou recorrer a plataformas especializadas. A escolha depende do público-alvo e da complexidade do desafio.
Se o objetivo é atrair startups, por exemplo, hubs de inovação ou redes acadêmicas podem ser mais eficazes.
Antes de abrir o desafio ao público, a empresa deve definir como as propostas serão avaliadas. Critérios comuns incluem: viabilidade técnica, custo de implementação, originalidade e alinhamento estratégico. É essencial comunicar esses parâmetros com antecedência, assim como os prazos e as formas de premiação.
O sucesso de um projeto de crowdsourcing depende do engajamento da comunidade externa. Isso pode envolver desde uma campanha de marketing digital até parcerias com universidades, aceleradoras ou influenciadores especializados.
O tom da comunicação precisa ser inclusivo e transparente. Incentivos simbólicos, como reconhecimento público, podem ser tão importantes quanto prêmios em dinheiro.
Uma vez que o desafio esteja aberto, é necessário acompanhar ativamente as interações. A moderação e o feedback durante o processo são importantes para manter a motivação dos participantes. Plataformas com recursos de votação ou comentários colaborativos podem aumentar a qualidade final das propostas.
Após a coleta de ideias, a equipe responsável deve selecionar as melhores propostas com base nos critérios definidos. Os vencedores devem ser premiados de forma transparente e os resultados, compartilhados com todos os envolvidos.
O mais importante: as ideias escolhidas precisam ser incorporadas aos processos internos da empresa, com apoio técnico e orçamentário adequado.
Por fim, é necessário avaliar o impacto do projeto: quantas ideias foram recebidas, quantas foram viáveis, qual o retorno sobre o investimento e como a empresa pode melhorar nas próximas rodadas. Essa etapa é crucial para transformar o crowdsourcing em uma prática contínua, e não apenas em ações pontuais.
Alguns exemplos de empresas que usam essa metodologia são:
Lego Ideas: A Lego recebe sugestões de novos produtos de fãs. Quando um projeto atinge 10 mil votos, passa por análise da empresa e pode virar um produto oficial;
Natura Campus: Plataforma aberta de inovação da Natura que convida pesquisadores e startups a desenvolverem soluções sustentáveis;
Waze: O aplicativo usa dados colaborativos de motoristas para otimizar rotas, identificar acidentes e indicar condições do tráfego em tempo real.
O modelo de crowdsourcing representa uma virada na forma como empresas lidam com inovação. Ele conecta organizações a redes externas de conhecimento e amplia a capacidade de resposta frente a desafios de mercado. Em tempos de transformação acelerada, colaborar com o público certo pode ser a chave para sair na frente.