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A Califórnia é aqui: o ótimo momento do vinho para São Paulo e Minas Gerais

Na Serra da Mantiqueira estende-se uma meca do enoturismo tão pujante quanto o Vale do Napa

Serra da Mantiqueira: nova meca de enoturismo tão pujante quanto a versão californiana (Catarina Bessell/Exame)

Serra da Mantiqueira: nova meca de enoturismo tão pujante quanto a versão californiana (Catarina Bessell/Exame)

Alexandra Forbes
Alexandra Forbes

Jonalista colaboradora

Publicado em 30 de novembro de 2025 às 07h33.

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Brotou um Vale do Napa na divisa entre São Paulo e Minas — e eu só descobri agora! Dos vales mineiros em torno de São Gonçalo do Sapucaí à Serra da Mantiqueira estende-se uma nova meca de enoturismo tão pujante quanto a versão californiana.

Em 2014, uma amiga me convenceu a pegar horas de estrada até uma fazenda em Espírito Santo do Pinhal, prometendo que degustaríamos os primeiros bons vinhos produzidos fora do Sul. Duvidei, mas fui. Ao chegar, subi e desci estradinhas de terra de quadriciclo visitando parcelas de vinhas, almocei com os simpáticos proprietários e provei tintos e brancos ainda em testes. Nascia a Guaspari, vinícola que fez história ao colecionar louros até então inatingíveis para brasileiros.

A estreia da Guaspari foi retumbante. De tão velozes e midiatizadas sua ascensão e sua expansão, uma boiada inteira veio no rastro. De graúdos da Faria Lima a advogados, de fazendeiros ricos a gente interiorana com sede de empreender, de repente todo mundo queria fazer vinho naquela terra montanhosa com vistas lindas de doer.

Anos atrás armei a primeira degustação às cegas comparando amostras de grande parte do que se produzia na região. Achei algumas pérolas dentre tintos amadeirados demais e brancos herbáceos e rasos no paladar.

A maioria ainda era café com leite no jogo, mas já se via que aquela turma de neovinhateiros tinha chegado com força. Bastou-lhes meia década para derrubar o conceito de que vinho brasileiro não presta!

Em 2020 fui morar na França e não vi o bolo fermentar. No lançamento, dias atrás da nova linha Porcellino, da Guaspari (um tinto e um branco de entrada, a menos de 200 reais), descobri a que ponto chegou a vinícola como potência ecoturística.

Hoje passam por lá 20.000 visitantes por ano, recebidos em um belo casarão anexo à sala de barricas e a uma loja (onde 70% da produção é vendida), que ganhou também, há dois anos, um restaurante. Tacada maior está por vir: estão construindo lá um hotel de 120 suítes, das quais 24 serão inauguradas já no ano que vem. Parte condomínio de luxo nos moldes da Fazenda Boa Vista, o Wine Villas se somará aos hotéis e pousadas que pontilham a região e multiplicam-se em ritmo desconcertante.

E dá-lhe experiências vínicas! Das dezenas de vinícolas abertas na sequência da Guaspari, 30 acabam de ser inauguradas. Em 2022, Renato Nogueira fez a primeira edição da feira Vinhos na Serra, com vinícolas, queijarias e outros produtores artesanais. Só apareceram 200 curiosos. Neste ano o evento atraiu 2.000 visitantes, com estandes de 114 marcas parceiras. “Sou um maluco que acredita que dá para mudar nosso país se a gente virar nosso olhar para o pequeno produtor. Essa turma não está brincando, vem investindo pesado na qualidade dos vinhos”, diz.


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