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Morre comediante Roberto Bolaños, protagonista das séries Chaves e Chapolin

O ator tinha 85 anos e respirava com ajuda de aparelhos desde o começo do mês

Chaves (Reprodução)

Chaves (Reprodução)

Lucas Agrela

Lucas Agrela

Publicado em 28 de novembro de 2014 às 17h51.

O comediante Roberto Gómez Bolanõs, protagonista das séries Chaves, Chapolin e Chesperito, morreu nesta sexta-feira (28/11), de acordo com informações da emissora Televisa. Ao longo de sua carreira, Bolaños escreveu e adaptou 50 roteiros, além de ter atuado em 11 filmes. O ator tinha 85 anos, lutava contra diabetes e respirava com ajuda de aparelhos desde o dia 10/11.

"Admirado, reconhecido e amado por milhões de pessoas em todo o mundo", como descreve a Televisa, Bolanõs vivia na cidade de Cancún, no México, junto com sua esposa Florinda Meza, que interpretou Dona Florinda, no seriado Chaves. O programa é exibido pela emissora SBT no Brasil desde 1984, quando estreou no programa do palhaço Bozo com o episódio "Caçando Lagartixas".

"O México perdeu um ícone, cujo trabalho transcendeu gerações e fronteiras", declarou o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, nesta sexta-feira.

Nenhum dos atores que contracenaram com Bolaños comentou sua morte até o momento. Em maio desde ano, Édgar Vivar, conhecido como Senhor Barriga, da série Chaves, afirmou temer a morte do amigo. "Quando aparece uma notícia de que ele [o Chaves] está muito grave ou que morreu, todos os jornalistas me ligam para perguntar, meu coração bate forte", disse Vivar durante a apresentação do game Chaves Kart, em São Paulo, segundo o UOL.

Sempre com o bom humor que o caracterizava, o ator dizia que seus problemas de saúde eram "um motor que funcionava sem óleo". Quando seus quadro clínico ficou mais grave, Bolaños trocou a agitada Cidade do México por Cancún, perto do mar, onde costumava frequentar lugares públicos e não fugir do contato com os fãs.

Relembre a carreira do protagonista do seriado Chaves

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A série Chaves foi ao ar pela primeira vez em 20 de junho de 1971, no Canal 8, no México. O programa, que foi concebido por Bolaños, conta a história de um menino pobre de oito anos que tem uma casa (de número oito, daí, o nome original do seriado "Chavo Del Ocho"), mas passa a maior parte de seu tempo de descanso em um barril. Chaves convive com os moradores de uma vila, como o garoto Quico, a menina Chiquinha, Seu Madruga, Dona Florinda, Professor Girafales, Senhor Barriga e Nhonhô. 

O seriado Chaves tornou-se um fenômeno no México, no Brasil e na Rússia. Na Colômbia, o menino pobre da vila rendeu a Bolaños uma escultura de 9 metros, parte de uma inciativa de um artista anônimo em homenagem a ícones da televisão. 

Foto: AFP

Bolanõs sempre mostrou muito carinho e gratidão com o público brasileiro, especialmente, em seu perfil no Twitter, que tem quase 7 milhões de seguidores.

Vida pessoal

Bolaños queria ser engenheiro, praticou boxe e era um fanático torcedor do clube de futebol América. Antes de chegar à televisão como roteirista, ele trabalhou redigindo anúncios publicitários.

Foi naquela época que um diretor o apelidou de "Chespirito", a tradução fonética de pequeno Shakespeare, pela sua abundante produção de roteiros e sua altura de apenas 1,60 metro.

Contam que o comediante escreveu cerca de 60 mil páginas de roteiros, lotou o Madison Square Garden, em Nova York, o Estádio Nacional, em Santiago, e o Luna Park, em Buenos Aires.

Bolaños tinha um senso de humor brilhante. Já aos 80 anos, perguntaram a ele sobre a sua relação de décadas com a atriz Florinda Meza. "Já estamos há 30 anos casados", respondeu. "Temos um casamento sólido que só a morte acabará com ele... ou a Shakira!".

Chespirito se casou em 2004 com Florinda, que interpretou a "Dona Florinda" no seriado "Chaves". Contudo, alguns criticavam que nos últimos anos ela exercia um controle ferrenho sobre o que ele dizia ou fazia e que foi um dos fatores que pesaram na sua ruptura com o ator Roberto Villagrán, o "Quico".

Apesar de ter vivido em concubinato com Florinda por 27 anos, os valores de Bolaños eram conservadores. Inclusive, chegou a participar de uma campanha contra a legalização do aborto na Cidade do México.

Nunca escondeu suas convicções políticas e apoiou a campanha do conservador Vicente Fox, cuja eleição em 2000 rompeu com mais de 70 anos de governo do Partido da Revolução Institucional.

(Com Agências Internacionais)

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