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Na Suíça, relojoeiros lamentam tarifas de Trump e questionam: cliente de luxo pagará mesmo assim?

De acordo com as últimas regras divulgadas, produtos importados da Suíça serão taxados em 31%, o que afeta diretamente o mercado de relógios de luxo

Exibição de relógios durante o Watches & Wonders: queda de vendas, mas preço médio mais alto (Watches & Wonders/Divulgação)

Exibição de relógios durante o Watches & Wonders: queda de vendas, mas preço médio mais alto (Watches & Wonders/Divulgação)

Ivan Padilla
Ivan Padilla

Editor de Casual e Especiais

Publicado em 3 de abril de 2025 às 08h17.

Última atualização em 3 de abril de 2025 às 10h28.

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GENEBRA. No Watches & Wonders, o maior salão de relojoaria do mundo, as conversas neste ano não são apenas sobre tendências e lançamentos de novas coleções e tendências. Nos cafés e restaurantes do centro de eventos em Genebra, entre taças de Veuve Clicquot brut, os executivos desse mercado têm comentado sobre o impacto das novas tarifas de importação dos Estados Unidos.

De acordo com as últimas regras divulgadas, produtos importados da Suíça serão taxados em 31%, o que afeta diretamente o mercado de relógios de luxo. As exportações da indústria relojoeira no ano passado chegaram a 24,8 bilhões de francos suíços no ano passado, segundo a Federação da Indústria Relojoeira Suíça.

O maior mercado de relógios de luxo são os Estados Unidos. O país de Donald Trump responde por 16,8% do mercado global de relógios suíços. Em 2024 foram 4,4 bilhões de francos suíços. Em seguida estão a China, com 7,9%, o Japão, com 7,6%, e Hong Kong, com 7,4%.

A situação preocupa ainda mais porque em 2024 o mercado americano cresceu 5% em relação a 2023, enquanto as vendas globais caíram 2,8%. China e Hong Kong estão em queda livre, com redução de 25,8% e 18,7% por cento no mesmo período.

Bom para o mercado brasileiro?

“Não sei como vamos compensar se houver uma queda do mercado americano, porque a Ásia já não compra mais como antes”, comentou um executivo de marketing de uma das marcas presentes no Watches & Wonders. “Mas o modo ainda não é de desespero, porque essas medidas mudam a todo momento. Vamos aguardar para ver.”

Uma diretora de outra marca não se mostra tão pessimista. “Se você olhar as estatísticas, o segmento que tem crescido em vendas é o de relógios que custam acima de 5 mil euros, e não os modelos de entrada. Os consumidores são os de poder aquisitivo mais altos, menos sensíveis a mudanças de preços. Nós trabalhamos com objetos de desejo. Se nosso cliente quiser muito um relógio, ele vai comprar.”

Mesmo que o governo americano mantenha as taxas, não é certeza que o aumento será repassado na íntegra para o consumidor final. Algumas marcas podem seguir uma estratégia de absorver parte dos custos para não impactar tanto as vendas. Ainda assim, algum aumento deverá ser inevitável.

O mercado brasileiro pode se beneficiar desse aumento de tarifas. Quando uma marca lança um novo modelo, destina quantidades diferentes de peças para cada mercado. Mercados que vendem mais recebem mais. Historicamente, o Brasil recebe poucas peças, o que faz com que os clientes muitas vezes tenham de esperar numa fila para poder comprar seu relógio.

Se o mercado americano cair e as tarifas do Brasil compensarem, pode haver um esforço maior de vendas em mercados emergentes. Ou seja, o mercado brasileiro receberia mais relógios e mais investimento em marketing e publicidade.

“Nosso maior concorrente não são as outras marcas. É Miami”, diz um representante de marca de São Paulo. “Com a pandemia, muitos brasileiros passaram a comprar produtos de luxo no Brasil, é verdade. Mas muita gente ainda deixa sua compra para uma viagem ao exterior. Se o preço lá fora estiver muito alto, essa compra pode passar a ser feita em nosso mercado.”

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