Ciência

Atividade física melhora a capacidade de memória e equilíbrio em animais

Submetidos a uma rotina de exercícios físicos, ratos demonstraram ter melhor precisão de memória e maior equilíbrio

Memória: animais que praticam exercício físico apresentam melhor memória e equilíbrio (Getty Images/Reprodução)

Memória: animais que praticam exercício físico apresentam melhor memória e equilíbrio (Getty Images/Reprodução)

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Maria Eduarda Cury

Publicado em 26 de agosto de 2019 às 05h55.

Última atualização em 26 de agosto de 2019 às 05h55.

São Paulo - A partir de um experimento feito com ratos em dois laboratórios da Universidade de Basileia, na Suíça, cientistas constataram que exercícios físicos aprimoram a qualidade de vida dos animais estudados. Depois de realizarem testes separados com ratos que praticam e não praticam atividades esportivas, foi constatado que os mais ativos possuem uma memória e um equilíbrio melhores do que os sedentários.

No primeiro laboratório, o biólogo suíço Christoph Handschin e sua equipe treinaram, durante seis semanas, ratos para que se tornassem atletas. Com um treinamento focado em resistência e coordenação, o resultado final demonstrou que um rato idoso treinado - mesmo que por um curto período de tempo - acaba tendo um equilíbrio melhor do que um rato não treinado.

Para comprovar, os dois ratos foram posicionados para andarem em uma espécie de corda-bamba, e o rato atleta percorreu o caminho com muito mais agilidade e rapidez. A fim de entender a razão por trás disso, os pesquisadores analisaram e compararam a medula espinhal de diferentes ratos. Entre eles, um rato jovem não treinado, um rato idoso treinado e um rato idoso não treinado.

Foi analisado que as células nervosas presentes na medula dos animais idosos treinados tinham quase a mesma quantidade de conexões do que as células das cobaias jovens. O contato dos neurônios motores, presentes na medula com os neurônios vestibulares do cérebro proporciona um equilíbrio mais consistente, já que as células vestibulares estão ligadas ao sistema de equilíbrio.

Estendendo a pesquisa para o segundo laboratório, o professor Josef Bischofberger e sua equipe deixaram objetos para que as cobaias se exercitassem na hora que desejassem, com o intuito de analisar mais aspectos de seu cérebro que poderiam ser aprimorados após alguns dias de exercício.

Um fenômeno, já apontado pela ciência, foi o principal ponto da análise de Bischofberger: a adição de células novas no cérebro de um rato atleta. Com o aumento do número dessas células, a capacidade de memorizar eventos recentes do rato melhora. A partir de comparações realizadas pela equipe, puderam perceber que as novas células nervosas se excitam com mais facilidade do que as antigas, ao se encontrarem diretamente com outras células, o que contribui para uma memória mais precisa.

O cientista selecionou um rato fisicamente ativo e outro não ativo. Diante deles, posicionou dois objetos idênticos de cor branca, que identificaram imediatamente. No dia seguinte, o pesquisador trocou um dos objetos por outro de formato diferente, mas ainda branco. Apenas o rato atleta foi capaz de notar a diferença e se animou com a nova peça. Confira abaixo a representação do experimento:

experimento ratos memória

(DW/Reprodução)

Feito isso, Bischofberger fez uma última troca de peças: posicionou um objeto de cor preta no lugar da pirâmide branca, e os dois ratos foram capazes de notar a alteração no mesmo instante.

Mesmo que os pesquisadores acreditem que essas análises aconteçam da mesma forma em humanos, ainda não foram realizados testes que comprovem a veracidade disso.

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