Ciência

Golden retrievers compartilham três semelhanças genéticas com humanos

Estudo de Cambridge identifica 12 genes que influenciam emoções e aprendizado em cães e pessoas

 (Wikimedia Commons/Wikimedia Commons)

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Publicado em 29 de novembro de 2025 às 09h58.

Pesquisadores da Universidade de Cambridge identificaram que genes presentes em cachorros da raça golden retrievers também influenciam características emocionais humanas, como inteligência, depressão e ansiedade. A descoberta, publicada nos Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), indica que parte dos mecanismos que moldam o comportamento das duas espécies pode ter origem compartilhada.

A análise se baseou em dados genéticos de 1.300 cães da raça, associados a informações fornecidas pelos tutores sobre energia, timidez, agressividade e resposta ao treinamento. Os resultados permitem mapear variantes genéticas que ajudam a explicar diferenças individuais de comportamento e reações ao ambiente.

Emoções e resposta ao treinamento

A equipe identificou 12 genes que influenciam tanto características caninas quanto humanas. Entre eles, o gene PTPN1, relacionado à agressividade entre cães, também aparece em pesquisas sobre depressão e inteligência em pessoas. Outra variante ligada ao medo nos animais se conecta à ansiedade desencadeada por constrangimento em humanos.

Os pesquisadores destacam que esses vínculos ajudam a entender por que alguns cães são mais suscetíveis a estresse e podem apresentar comportamentos interpretados como indisciplina - quando, na verdade, reagem a estímulos que ultrapassam sua capacidade de adaptação.

Outro gene analisado, o ROMO1, associado à facilidade de treinamento nos golden retrievers, aparece em estudos sobre inteligência e sensibilidade emocional humana. A partir disso, os cientistas sugerem que métodos de adestramento que incorporem estímulos emocionais, e não apenas recompensas, podem ter maior eficácia.

Apesar das conexões encontradas, o grupo ressalta que a genética não determina comportamentos específicos. Ela cria predisposições que podem se manifestar ou não, dependendo do ambiente, do histórico de vida e das interações diárias.

Além disso, para os autores, compreender esses mecanismos pode apoiar tanto o desenvolvimento de práticas de treinamento mais eficientes quanto a pesquisa de condições psiquiátricas humanas que envolvem regulação emocional.

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