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Humanos estão evoluindo ao vivo no Planalto Tibetano; entender processo será essencial no espaço

Estudo revela como as mulheres tibetanas se adaptaram ao ambiente de alta altitude, mostrando uma evolução em tempo real

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 4 de abril de 2025 às 15h37.

Última atualização em 4 de abril de 2025 às 15h38.

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No topo do mundo, respirar não é tarefa fácil. Kilian Jornet, famoso atleta de montanhismo, relatou recentemente no La Revuelta que, enquanto descia do Everest, começou a ter alucinações. Convencido de que estava sonhando, quase se jogou no vazio. E, de fato, faz sentido: a milhares de metros de altura, há menos oxigênio a cada inspiração. Um fenômeno que pode ser explicado pela física.

Mas, por mais de 10 mil anos, os tibetanos não apenas sobreviveram a essas condições extremas — eles prosperaram. E a grande questão é: como?

Essa pergunta tem intrigado antropólogos por décadas, uma vez que a evolução humana foi historicamente considerada um processo lento. Se isso fosse verdade, como seria possível que os tibetanos, um povo como qualquer outro, se adaptassem e prosperassem em um ambiente tão hostil?

A resposta, no entanto, vai além daquilo que imaginávamos. A explicação vem de um estudo recente da antropóloga Cynthia Beall, da Case Western Reserve University, que mostrou que a evolução humana está acontecendo ao vivo no Planalto Tibetano. Publicado na revista PNAS, o estudo revela como as características fisiológicas das mulheres tibetanas aumentam sua capacidade de reprodução em um ambiente com tão pouca disponibilidade de oxigênio.

Esse é um caso claro de evolução acontecendo em tempo real.

Beall e sua equipe estudaram 417 mulheres tibetanas com idades entre 46 e 86 anos, que vivem a cerca de 4.000 metros acima do nível do mar, na região do Alto Mustang, no Nepal — no sul do Planalto Tibetano. Para entender as adaptações dessas mulheres, os pesquisadores reuniram uma vasta quantidade de dados: históricos reprodutivos, medições fisiológicas, amostras de DNA e uma série de fatores sociais.

O objetivo do estudo era compreender como as condições de hipóxia — a escassez de oxigênio em grandes altitudes — afetam a reprodução dessas mulheres. Afinal, o número de nascimentos vivos é uma medida essencial da aptidão evolutiva.

E foi isso que o estudo revelou: as mulheres que tiveram mais filhos vivos apresentavam um conjunto único de características sanguíneas e cardíacas que permitiam uma distribuição mais eficiente de oxigênio no corpo. Em especial, descobriu-se que essas mulheres, apesar de apresentarem níveis médios de hemoglobina, tinham uma hemoglobina mais saturada. Esse mecanismo se mostrou eficiente, pois permitia o transporte adequado de oxigênio sem aumentar a viscosidade do sangue, evitando sobrecarregar o coração.

O que isso tudo significa? Algo fascinante: este estudo não só destaca a notável resiliência das mulheres tibetanas, como também oferece uma visão sobre como os humanos podem se adaptar a ambientes extremos. "Este é um caso claro de seleção natural em andamento", afirmou Beall. “As mulheres tibetanas evoluíram de uma forma que equilibra as necessidades de oxigênio do corpo sem sobrecarregar o coração.”

Entender como populações como a tibetana se adaptam ao longo do tempo nos dá uma compreensão mais profunda dos processos evolutivos humanos — uma compreensão que se torna cada vez mais importante à medida que olhamos para o futuro da espécie humana, especialmente no contexto da exploração espacial.

Afinal, à medida que nos tornamos uma "espécie interplanetária", a unidade da humanidade será colocada à prova. A evolução em outros planetas exigirá adaptação, e a diversidade genética crescerá, sacrificando, em última instância, a unidade da espécie em nome do sucesso adaptativo. O que isso significa para o futuro da humanidade? Nunca poderemos voltar para casa

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