Ciência

O universo é realmente infinito? Saiba o que a ciência nos revela

Pesquisa revela se é possível calcular o tamanho do universo

Ciência: é possível saber o tamanho do universo? (Lev Savitskiy/Getty Images)

Ciência: é possível saber o tamanho do universo? (Lev Savitskiy/Getty Images)

Raphaela Seixas
Raphaela Seixas

Estagiária de jornalismo

Publicado em 23 de abril de 2025 às 13h59.

Tudo o que conhecemos — da Terra ao nosso sistema solar, da Via Láctea a galáxias distantes — está contido dentro do universo. Mas o que precisamos entender é: até que ponto a ciência consegue nos dizer o tamanho do espaço?

Durante séculos, filósofos, matemáticos e astrônomos debateram sobre o céu noturno. Foi somente no início do século XX, graças a avanços como os estudos da astrônoma Henrietta Swan Leavitt, que Edwin Hubble conseguiu provar que os objetos brilhantes que víamos no céu, como a Nebulosa de Andrômeda, não eram simples nuvens de gás próximas, mas sim galáxias distantes, semelhantes à nossa própria Via Láctea. Esse marco abriu as portas para entendermos que o universo é composto por incontáveis “ilhas” de estrelas e mundos.

Com o passar dos anos, a tecnologia avançou de forma impressionante. Hoje, telescópios como o James Webb (JWST) nos enviam imagens detalhadas e reveladoras, ampliando nossa visão para regiões ainda mais remotas do cosmos.

A partir desses dados, especialistas em astronomia e cosmologia conseguem estudar a forma, a expansão e outras características do universo — embora muitas perguntas ainda permaneçam sem resposta.

Qual o tamanho do universo?

Até o momento, não existe uma resposta exata sobre o tamanho do universo. Segundo a astrofísica Sara Webb, da Swinburne University of Technology, não existe, fisicamente, nenhuma maneira de sabermos o tamanho do universo.

O que se sabe com certeza é que o universo observável — a parte que conseguimos enxergar — tem um diâmetro de cerca de 93 bilhões de anos-luz.

Essa limitação existe porque só podemos captar a luz que teve tempo de chegar até nós desde o Big Bang, ocorrido há aproximadamente 13,8 bilhões de anos. Contudo, devido à expansão contínua do espaço, a luz emitida logo após o Big Bang já percorreu uma distância muito maior, cerca de 46,5 bilhões de anos-luz.

Essa expansão do espaço, que pode ocorrer em velocidades superiores à da luz, desafia nossa intuição e as leis físicas aplicadas à matéria comum. Por isso, muitos cientistas acreditam que o universo pode ser infinito, sem bordas ou limites definidos.

Além disso, a forma do universo não é uma esfera ou um donut, mas sim “plana” — embora isso não signifique que ele seja bidimensional. Na verdade, o universo é uma espécie de “folha” quadridimensional, onde seguir em linha reta nunca leva você de volta ao ponto de partida.

Como sabemos que o universo está em expansão?

No início do século XX, observações começaram a indicar que o universo não era estático. O fenômeno do desvio para o vermelho (red shift) foi fundamental para essa descoberta.

Assim como o som de uma sirene de ambulância muda de tom conforme ela se aproxima ou se afasta, a luz das galáxias também sofre alterações em seu comprimento de onda dependendo do movimento delas em relação a nós.

Edwin Hubble e outros astrônomos notaram que quase todas as galáxias parecem estar se afastando da Terra, e quanto mais distantes, mais rápido se afastam. Isso indica que o espaço entre elas está se expandindo.

Além do red shift, cientistas utilizam “velas padrão” — objetos astronômicos com brilho conhecido, como estrelas variáveis Cepheid e certos tipos de supernovas — para medir distâncias no universo e confirmar essa expansão.

Qual a velocidade dessa expansão?

A taxa de expansão do universo é conhecida como Constante de Hubble (H₀). Inicialmente estimada por Hubble em cerca de 500 km/s por megaparsec (uma unidade equivalente a 3,26 milhões de anos-luz), hoje sabemos que esse valor é menor, situando-se entre 65 e 75 km/s/Mpc.

No entanto, há uma controvérsia chamada “Tensão de Hubble”: diferentes métodos de medição produzem resultados discrepantes, e essa divergência ainda não foi resolvida.

Enquanto observações baseadas em estrelas próximas indicam um valor mais alto, medições do fundo cósmico de micro-ondas sugerem um valor menor.

Essa incerteza pode indicar que nossa compreensão da energia escura, a misteriosa força que acelera a expansão do universo ainda é incompleta, ou que precisamos de uma nova física para explicar esses fenômenos.

Acompanhe tudo sobre:PlanetasPlaneta TerraLua

Mais de Ciência

Cabe um docinho? Estudo explica por que sempre sobra espaço para sobremesas ao final das refeições

SpaceX adia lançamento do Starship após problemas técnicos

Como identificar mentirosos? Cientista revela técnica 'infalível' para desmascarar os inimigos

Após 600 anos, peste negra voltou? O que se sabe sobre caso registrado da doença e possíveis riscos