Pará: estado enfrenta terremotos (Leandro Fonseca/Exame)
Redação Exame
Publicado em 4 de abril de 2025 às 11h06.
Última atualização em 4 de abril de 2025 às 12h18.
Na madrugada desta quinta-feira, 3, a cidade de Parauapebas, localizada a 700 quilômetros de Belém, no estado do Pará, foi surpreendida por um tremor de terra de magnitude 4,3 na Escala Richter.
O abalo sísmico foi registrado pelas estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e analisado por especialistas do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) e do Observatório Nacional (ON).
De acordo com as instituições, a população local foi capaz de sentir o fenômeno, que teve sua magnitude classificada como moderada.
O evento foi o maior registrado próximo ao município desde 1900, quando começou a observação sísmica na região, segundo o catálogo de Sismologia da USP.
O terremoto de 3 de abril não foi o único registrado em 2025. O estado tem experienciado uma série de abalos sísmicos desde o início do ano. Além do tremor de Parauapebas, foram observados outros três eventos:
9 de janeiro: um tremor em Parauapebas com magnitude 2,8 MLv, caracterizado como um pequeno tremor.
17 de janeiro: um abalo em Novo Repartimento, com magnitude 2,3 mR.
28 de janeiro: em Tucuruí, o tremor registrado teve magnitude 2,9 mR.
Esses tremores são frequentemente de baixa magnitude, mas, com o aumento das observações, os pesquisadores estão conseguindo mapear uma possível tendência. A magnitude 4,3 registrada recentemente é considerada moderada e bastante significativa para a região, levando à especulação de que mudanças nos padrões geológicos locais ou até mesmo na exploração mineral da área podem influenciar a frequência desses eventos.
Embora o Brasil não esteja localizado em áreas próximas das principais fronteiras das placas tectônicas, como o Cinturão de Fogo do Pacífico, a movimentação das placas ainda pode afetar a região. O Pará, especialmente Parauapebas, encontra-se próximo à Falha de Carajás, uma zona de fraqueza na crosta terrestre, onde os movimentos das placas tectônicas podem gerar tremores.
A geologia local também desempenha um papel fundamental, considerando a presença de rochas e falhas geológicas que, combinadas com a exploração mineral intensiva, podem estar alterando o subsolo e contribuindo para a ocorrência de sismos. Além disso, tremores rasos, que acontecem a pequenas profundidades, são mais comuns em regiões com falhas ativas, como é o caso de algumas áreas no Pará.
Em resumo, os terremotos no Pará são fenômenos influenciados por uma complexa interação entre fatores geológicos locais e regionais, incluindo a movimentação das placas tectônicas e a estrutura geológica da região. O caso de Parauapebas, com seu tremor de 4,3 na Escala Richter, destaca-se não somente pela sua magnitude, mas também pelo aumento da frequência desses eventos sísmicos no estado. O monitoramento constante e as pesquisas em sismologia serão essenciais para entender melhor o comportamento sísmico da região.