Agência de notícias
Publicado em 4 de abril de 2025 às 16h30.
Última atualização em 4 de abril de 2025 às 16h47.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o agravamento da guerra comercial com a China taxando as importações americanas em 34%, mesmo percentual aplicado por Donald Trump a produtos chineses, pode ser a "antessala" para uma negociação entre Pequim e Washington.
Integrantes do governo brasileiro afirmam que um quadro mais claro sobre o que está acontecendo, inclusive o impacto da disputa entre os dois gigantes para a economia brasileira, só deve ser conhecido em algumas semanas.
Autoridades do governo Lula acreditam na possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e China, tal como ocorreu em 2020, durante o primeiro mandato de Trump. Entre os pontos negociados entre o americano e os chineses, um deles previa que o país asiático comprasse mais de US$ 200 bilhões em produtos americanos ao longo de dois anos, para reduzir o déficit comercial bilateral, que chegou a US$ 420 bilhões em 2018.
Para integrantes do governo brasileiro, com a alta tributação aplicada pelos EUA contra a China, o Brasil sairia perdendo, de um lado, como uma possível invasão de bens industrializados chineses barrados pelos americanos. Por outro lado, o país teria ganhos, vendendo mais produtos agropecuários à nação asiática.
Brasil e EUA são concorrentes em terceiros mercados em produtos do agro. Com a sobretaxa de 34%, as exportações americanas devem despencar. Porém, de acordo com membros do governo Lula, é cedo ainda para fazer previsões, uma vez que o mundo inteiro quer um acordo com a Casa Branca.
Um ponto positivo, destacou um negociador brasileiro, é que existe um canal aberto para o diálogo com os EUA. Por isso, pelo menos por enquanto, a ideia é não repetir o que outros países têm feito, adotando as mesmas tarifas impostas pelos EUA.
O Brasil quer cotas para exportar aço sem tarifa de 25% adotada por Trump e, na semana que vem, em reunião técnica virtual, tentará convencer os americanos a reduzirem a alíquota de 10% que passará a incidir, neste sábado, nas importações de todos os produtos brasileiros.
Um experiente embaixador enfatizou que, em um cenário de guerra, ninguém ganha. A consequência é o empobrecimento da economia mundial. Mesmo com possíveis vantagens na venda de commodities para a China, a instabilidade e a falta de regras são ruins para o Brasil.
Os negociadores brasileiros tentarão chegar a um acordo com os EUA e acompanham as conversas de outros parceiros internacionais com os americanos.
Na falta de um entendimento entre as opções sobre a mesa estão entrar com uma ação na Organização Mundial do Comércio (OMC) e tomar medidas de retaliação, como a adoção da mesma tarifa de 10% nas importações dos Estados Unidos e a quebra de patentes de medicamentos.