Navio Queen B navegou a velocidade máxima para chegar ao porto Manatee, em Palmetto, antes do tarifaço (Reprodução/ Vessel Finder)
Agência de notícias
Publicado em 3 de abril de 2025 às 11h42.
Última atualização em 3 de abril de 2025 às 12h09.
O Queen B é um navio pequeno para os padrões dos porta-contêineres, mas estava desempenhando uma missão enquanto atravessava a Baía de Tampa, nos Estados Unidos, na tarde da última terça-feira, 1º.
Ele se apressava para chegar ao porto menos de 24 horas antes de o presidente Donald Trump anunciar as novas tarifas recíprocas sobre todos os países do mundo que ameaçam tornar frutas importadas, máquinas, matérias-primas e qualquer produto que entre no mercado americano muito mais caro.
As tarifas, conforme anunciou Trump nesta quarta-feira, entrarão em vigor no próximo sábado, dia 5. Trump tinha ameaçado aplicar a sobretaxa imediatamente, no dia seguinte ao anúncio. Mas aparentemente estendeu o prazo até sábado para dar margem a algum tipo de negociação. De qualquer maneira, nos últimos dias, a ameaça de Trump provocou um verdadeiro caos entre empresas marítimas globais.
"Tivemos clientes pedindo: Por favor, descarregue até a meia-noite", disse Daniel Blazer, cofundador da World Direct Shipping, de Palmetto, Flórida, que possui e opera o Queen B e outros dois navios porta-contêineres.
As empresas que haviam encomendado a carga a bordo do navio estavam fazendo tudo o que podiam para passar seus pedidos pela alfândega dos EUA antes de quarta-feira, garantindo assim que não teriam de pagar os novos impostos mais altos.
Entre a carga nos 220 contêineres que a embarcação transportou de Tampico, no México, para o SeaPort Manatee, em Palmetto, estavam azulejos, tequila, ar-condicionados, secadoras e sacos de uma tonelada de sulfato de manganês, frequentemente usado em ração animal.
No porto, a World Direct também armazenava itens como frutas e açúcar trazidos em seus navios. O capitão do Queen B, Vadym Pryyma, natural da Ucrânia, disse que impulsionou a embarcação a 17,8 nós durante a viagem, um ritmo consideravelmente mais rápido do que o habitual, e teve de lidar com ondas de quase 2,5 metros.
"Os clientes estavam contando com a nossa chegada hoje", disse Blazer.
Corridas semelhantes estavam acontecendo em outros portos e nos postos de fronteira com o México e o Canadá. Embora Trump tenha fornecido poucos detalhes sobre quais produtos ou países seriam alvo de tarifas mais altas em sua ordem executiva de quarta-feira, as empresas decidiram que fazia sentido importar mais carga do que o normal para evitar pagar qualquer taxa que pudesse entrar em vigor.
Estatísticas do governo sugerem que muitas empresas estavam comprando mais do exterior antes das novas tarifas — uma prática às vezes chamada de front loading. As importações de bens de consumo em fevereiro foram 24% maiores do que em fevereiro de 2024, de acordo com as estatísticas oficiais.
Mas, segundo especialistas em logística, esse aumento não sobrecarregou as empresas de transporte marítimo, as ferrovias de carga e os caminhoneiros.
"A cadeia de suprimentos de importação, ferrovias, caminhões e transportadoras marítimas, lidou com o aumento das importações nos últimos meses com desafios limitados, certamente em comparação com as interrupções crônicas enfrentadas em 2021 e no início de 2022", disse Jason Miller, professor de gerenciamento da cadeia de suprimentos da Michigan State University.
No SeaPort Manatee, uma equipe de 22 estivadores começou a descarregar o Queen B logo após as 19h de terça-feira e trabalhou até tarde na noite fria. Relâmpagos brilhavam à distância.
Os contêineres regulares de 40 pés foram retirados do navio por guindastes gigantes de fabricação alemã no cais e colocados em caminhões de pátio barulhentos. Mas a World Direct também transporta mercadorias em contêineres de 53 pés, que precisam ser movidos por empilhadeiras de grande alcance. Os contêineres maiores são melhores para transportar cargas volumosas, como eletrodomésticos, explicou Blazer.
Um dos maiores clientes da World Direct é a Agmark, que importa tanques de suco de laranja e outros produtos do México. No entanto, nenhum tanque da Agmark estava sendo descarregado do Queen B na terça-feira.
Carter Kaeser, vice-presidente sênior da Agmark, disse que, embora os clientes tenham antecipado as importações, eles recentemente interromperam os embarques, caso as cargas chegassem depois de terça-feira e estivessem sujeitas às tarifas mais altas.
"Temos zero cargas sendo carregada e zero cargas nos navios que cruzam o Golfo do México" disse Kaeser. "Ninguém quer pagar isso".