Agência de Notícias
Publicado em 4 de abril de 2025 às 16h39.
Última atualização em 4 de abril de 2025 às 16h53.
O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Jerome Powell, analisou nesta sexta-feira que as tarifas sobre produtos procedentes de outros países anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, resultarão em crescimento econômico mais lento e inflação mais alta, pode ser persistente e não temporária.
“Embora seja muito provável que as tarifas gerem, pelo menos temporariamente, uma inflação mais alta, também é possível que seus efeitos sejam mais persistentes”, declarou Powell em uma conferência em Arlington, nos arredores da Virgínia.
Powell afirmou que evitar esse resultado “dependeria de manter as expectativas de inflação de longo prazo bem ancoradas, da magnitude dos efeitos e do tempo necessário para que eles sejam totalmente repassados aos preços”.
“Nossa obrigação é manter as expectativas de inflação de longo prazo bem ancoradas e garantir que um aumento pontual no nível de preços não se torne um problema persistente de inflação”, acrescentou.
Em um discurso mais franco e direto do que o habitual, o presidente do Fed enfatizou que as tarifas do governo “são mais altas do que as pessoas geralmente esperavam”.
“Embora a incerteza continue alta, está cada vez mais claro que os aumentos de tarifas serão significativamente maiores do que o esperado. É provável que o mesmo ocorra com os efeitos econômicos, que incluirão inflação mais alta e crescimento menor. O tamanho e a duração desses efeitos permanecem incertos”, disse.
Trump anunciou na quarta-feira uma tarifa global de 10% sobre produtos exportados para os EUA pela maioria dos países, e taxas adicionais sobre determinados países e blocos comerciais, como China e União Europeia.
“A incerteza diminuirá, e poderemos ver com real clareza quais são as políticas e quais são seus efeitos”, comentou Powell, além de destacar que a política monetária do banco central americano está “bem posicionada” para administrar os riscos causados pela guerra comercial.
Ele afirmou que é necessário que haja uma maior clareza do panorama econômico mundial antes de se propor novos cortes nas taxas de juro nos EUA.
"É muito cedo para dizer qual é a política monetária apropriada”, enfatizou.
Em sua última reunião, em 19 de março, o Fed manteve a taxa básica de juros da economia americana na faixa de 4,25% a 4,5% e a projeção de que em 2025 fará dois cortes, por avaliar que, apesar da alta incerteza causada pela imposição de tarifas, a economia do país estava em “forma relativamente boa”.
O discurso de Powell coincidiu com o anúncio do Escritório de Estatísticas do Trabalho (BLS) de que a taxa de desemprego dos EUA em março ficou em 4,2%, e que 228 mil vagas foram criadas.
“Continuaremos a monitorar cuidadosamente os dados que chegam, a evolução das perspectivas e o equilíbrio dos riscos. Estamos bem posicionados para aguardar mais clareza antes de considerar quaisquer ajustes em nossa orientação política. É prematuro prever qual será o caminho apropriado para a política monetária”, pontuou Powell.
Trump pediu a Powell que reduza a taxa básica de juros, com o argumento de que “este é o momento perfeito".
“Ele sempre se atrasa, mas poderia mudar sua imagem agora, e rápido. Os preços da energia caíram, as taxas de juro caíram, a inflação caiu, até os ovos caíram 69% e o emprego aumentou, tudo isso em dois meses — uma grande vitória para os Estados Unidos!”, escreveu Trump na rede social Truth Social.