Economia

‘Tarifaço’: Exportações aos EUA representam 2% do PIB do Brasil, aponta Goldman Sachs

Relatório do banco mostra que o Brasil está entre os países latino-americanos menos expostos às novas tarifas de Donald Trump, mas pode ser afetado por impactos indiretos

Presidente dos EUA, Donald Trump, exibe ordem executiva assinada por ele que impõe tarifaço global (Foto: SAUL LOEB / AFP)

Presidente dos EUA, Donald Trump, exibe ordem executiva assinada por ele que impõe tarifaço global (Foto: SAUL LOEB / AFP)

Agência o Globo
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Publicado em 3 de abril de 2025 às 12h46.

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A economia brasileira está entre as menos expostas da América Latina às tarifas anunciadas ontem por Donald Trump, no que o presidente republicano chamou de “Dia da Libertação”. A avaliação do banco Goldman Sachs, que calcula que as exportações do Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) — uma das menores participações da região.

O novo pacote tarifário prevê uma alíquota mínima de 10% sobre as importações, podendo chegar a até 46% no caso de países como Vietnã e 34% para a China, que terá uma sobretaxa total de 54%, considerando tarifas anunciadas anteriormente.

Na América Latina, Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Equador e Uruguai foram incluídos na alíquota básica de 10%. A Venezuela, por sua vez, será submetida a 15%.

O relatório do Goldman Sachs ressalta que o México é o país latino-americano mais afetado pelo “tarifação”, já que 27,2% do PIB dependente do mercado americano. O país não foi incluído nessa rodada de taxas, assim como Canadá, já que está submetido a ordens executivas anteriores, que aplicaram tarifas de 25% sobre produtos.

Na América Latina, depois do México, os países mais expostos à rodada global do tarifaço são Equador (7,1%), Chile (5,0%) e Colômbia (4,4%). O Brasil figura entre os países menos afetados (2%), ao lado da Argentina (1,2%). No geral, o impacto direto no continente é baixo, avalia o banco.

Entre os setores brasileiros mais expostos, estão os de metais (0,3% do PIB), produtos minerais (0,4%) e alimentos (0,2%), aponta o documento. Outras categorias com participação menor, mas ainda relevantes, incluem madeira e derivados (0,2%), máquinas (0,1%) e produtos químicos (0,1%).

O banco destaca que a rodada de tarifas inclui isenções para produtos como cobre, energia, fármacos, semicondutores e alguns minerais críticos. Segundo o banco, essas exceções ajudam a reduzir o impacto direto sobre a América Latina. As isenções foram adotadas pelo governo americano para preservar setores considerados estratégicos para a segurança nacional. Já produtos como aço e alumínio seguem sujeitos a tarifas anteriores e, por isso, não foram incluídos nessa nova rodada.

Apesar do impacto direto ser limitado na América Latina, com exceção do México, o Goldman Sachs alerta para efeitos indiretos decorrentes de uma possível desaceleração do crescimento global e de eventuais retaliações comerciais.

Globalmente, o banco destaca que China e outros exportadores asiáticos são os mais afetados, com tarifas bem acima das aplicados à América Latina, com tarifas de 32% para Taiwan, 26% para a Índia, 25% para a Coreia do Sul e 24% para o Japão.“As taxas permanecerão em vigor por tempo indeterminado, até nova determinação do presidente Trump. A ordem presidencial também permite modificações, autorizando o presidente a aumentar as tarifas caso haja retaliações ou reduzi-las se os parceiros comerciais adotarem medidas significativas para corrigir desequilíbrios”, lembra o documento assinado por Alberto Ramos, diretor de pesquisa macroeconômica para a América Latina do Goldman Sachs.

Importações dos EUA da América Latina em 2024 (em % do PIB)

  • México – 27,2% do PIB
  • Colômbia – 4,4% do PIB
  • Equador – 4,2% do PIB
  • Peru – 3,3% do PIB
  • Chile – 2,5% do PIB
  • Brasil – 2,0% do PIB
  • Argentina – 1,2% do PIB
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