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Trump corta isenção para vendas online de 'blusinhas' chinesas nos EUA

Produtos da China terão taxa de importação de 34% a partir da próxima semana

Agência o Globo
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Publicado em 2 de abril de 2025 às 19h02.

Última atualização em 2 de abril de 2025 às 19h12.

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No dia em que cumpriu a promessa de anunciar suas "tarifas recíprocas" contra produtos importados pelos Estados Unidos de todos os países, o presidente dos EUA, Donald Trump, também assinou um decreto que anula a isenção de imposto de importação para pequenos pacotes enviados da China.

A partir da semana que vem, todos os produtos importados por americanos da China pagarão uma tarifa linear de 34%.

A medida lembra o decreto do governo brasileiro que acabou com a isenção de tarifas para encomendas entre pessoas físicas vindas do exterior, uma brecha que estava sendo usada pelos sites estrangeiros de comércio eletrônico. O fim da isenção ficou conhecido no Brasil como "taxação das blusinhas", em referência aos produtos baratos vendidos online que se encaixavam neste quesito.

Trump confirmou hoje que vai impor 25% de tarifas a todos os automóveis fabricados fora dos EUA a partir de meia-noite. E ele já havia mencionado essa medida na semana passada e a confirmou hoje.

Em seguida, anunciou suas "tarifas recíprocas" de ao menos 10% para produtos estrangeiros importados pelos americanos. O Brasil é um dos países que terão seus produtos taxados nos EUA em 10%, o percentual mais baixo do pacote. O caráter linear das tarifas foi adiantado ontem pela colunista do O Globo Míriam Leitão.

A Casa Branca informou que novas tarifas entram em vigor em 5 e 9 de abril. Em um discurso de quase uma hora nos jardins da Casa Branca no fim da tarde de hoje, Trump repetiu várias vezes que "hoje é o Dia da Libertação".

O governo dos EUA vai aplicar 10% de tarifas para produtos de países como Brasil, Singapura e Reino Unido. Outros países, como China, Vietnã, Camboja e Taiwan, terão seus itens taxados em mais de 30%. Não houve mudança no caso de Canadá e México, vizinhos dos EUA com quem integram uma zona de livre comércio, que já tiveram seus produtos vendidos aos EUA taxados em 25% no mês passado.

Também estão no grupo de países taxados em 10% outros latino-americanos como: Colômbia, Argentina, Chile, Peru, Costa Rica, República Dominicana, Equador, Guatemala, Honduras e El Salvador. A Nicarágua, governada pelo opositor de Trump Daniel Ortega, sofrerá taxação de 18% sobre todos os seus produtos enviados aos EUA.

Para a China, por exemplo, a tarifa será de 34%. Camboja tem uma das maiores taxas: 49%. O Japão e a Índia, aliados geopolíticos e econômicos dos EUA, terão seus produtos tarifados em 24% e 26%, respectivamente.

Veja algumas taxas aplicadas pelos EUAs a produtos de diferentes origens:

  • União Europeia: 20%
  • Vietnã: 46%
  • Camboja: 49%
  • China: 34%
  • Taiwan: 32%
  • Japão: 24%
  • África do Sul: 30%
  • Índia: 26%
  • Coreia do Sul: 25%
  • Tailândia: 36%
  • Suíça: 31%
  • Indonésia: 32%
  • Brasil: 10%
  • Reino Unido: 10%

— Vou assinar uma ordem executiva histórica instituindo tarifas recíprocas a países de todo o mundo. Uma reciprocidade que significa: se eles fazem conosco, vamos fazer com eles — disse Trump na Casa Branca. — Este é um dos dias mais importantes, na minha opinião, na história dos Estados Unidos.

Brasil fica com tarifa básica

Segundo a Casa Branca, a política de Trump estabelecerá uma tarifa básica de 10% sobre todos os produtos de todos os países, exceto aqueles que estiverem em conformidade com o acordo de livre comércio USMCA entre México, Canadá e Estados Unidos (os produtos que não estiverem em conformidade continuarão a ser cobrados a uma taxa de 25%).

Os importadores de mercadorias de outros países começarão a pagar a tarifa básica de 10% no sábado, às 12h01 (horário de Brasília). Entre eles estão os produtos que vão do Brasil para os EUA.

Um grupo de cerca de 60 países, que as autoridades sênior do governo Trump rotularam de “piores infratores”, receberá uma tarifa de metade da taxa que cobram dos Estados Unidos. Essas tarifas recíprocas entrarão em vigor em 9 de abril, às 12h01 (horário de Brasília).

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