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Bioeconomia: uma nova perspectiva para o desenvolvimento do Brasil

A COP30 será a oportunidade de alinhar duas dimensões fundamentais: a climática — guiada pela ciência e pelas metas de redução de emissões — e a da natureza

No último encontro do G20, o Brasil propôs e aprovou, por unanimidade, os dez princípios da bioeconomia (Leandro Fonseca /Exame)

No último encontro do G20, o Brasil propôs e aprovou, por unanimidade, os dez princípios da bioeconomia (Leandro Fonseca /Exame)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 30 de agosto de 2025 às 14h00.

*Thais Ferraz, diretora programática do Instituto Clima e Sociedade (iCS) e Marcelo Behar, enviado especial de Bioeconomia da COP30

Em um mundo em que a crise climática já é realidade, ouvimos repetidamente que o Brasil pode ser um provedor global de soluções. No entanto, nosso modelo de desenvolvimento ainda está ancorado no passado.

Mas como transformar esse potencial em ação? A chave está em assumir o protagonismo a partir das nossas maiores riquezas: abrigar a Amazônia – a maior floresta tropical do mundo –, contar com uma das legislações ambientais mais avançadas e aproveitar a oportunidade de ampliar a produção agropecuária ao mesmo tempo em que capturamos carbono com a restauração de cerca de 40 milhões de hectares de áreas degradadas.

No último encontro do G20, o Brasil propôs e aprovou, por unanimidade, os dez princípios da bioeconomia.

E, em novembro, em Belém, a COP30 será a oportunidade de alinhar duas dimensões fundamentais: a climática — guiada pela ciência e pelas metas de redução de emissões — e a da natureza — que estabelece indicadores e objetivos para conservar a biodiversidade e regular o uso dos recursos naturais.

Faz-se urgente promover o uso sustentável da floresta. Para isso, é fundamental que haja um financiamento de longo prazo ajustado às realidades da sociobioeconomia e o reconhecimento oficial do papel das comunidades tradicionais nesse processo.

É preciso realocar subsídios das fontes não renováveis para as renováveis e criar mecanismos de financiamento do mercado de carbono previstos no Artigo 6.2 do Acordo de Paris, além do avanço na mensuração de serviços ecossistêmicos.

No âmbito da conservação, além da manutenção dos mecanismos de controle, é preciso um instrumento robusto, como o Fundo de Florestas Tropicais (TFFF), proposto em US$ 125 bilhões pelo governo federal.

Apesar do enorme desafio, bons ventos já anunciam mudanças. Programas como o AtivaCred aceleram crédito a agricultores da sociobioeconomia.

O Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) articula ministérios para estruturar políticas. A BRB Finance Coalition já mobiliza 2,6 bilhões de dólares de investimentos privados para a restauração.

Avançam ainda iniciativas em ampliação de acesso a mercados e estruturação de cadeias produtivas. Para a COP30, o Brasil está desenvolvendo, junto a financiadores de soluções baseadas na natureza, critérios comuns que permitam a criação de um novo mecanismo de investimento.

O caminho está posto, mas é preciso coordenação e foco para implementá-lo com a escala necessária. Temos floresta, ciência, talento e capital para fazer da bioeconomia um diferencial competitivo do Brasil. Já passou da hora de mostrarmos ao mundo que somos o país do novo presente.

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