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Chuvas na Argentina: mudanças climáticas agravam enchentes e milhares são evacuados

A tempestade afetou o norte da província, Buenos Aires e sua área metropolitana neste final de semana e foi considerada por meteorologistas "cinco vezes maior do que o normal para o mês de maio"

A cidade de 350 mil habitantes foi atingida por uma chuva que duplicou a média anual histórica e deixou danos de mais de 400 milhões de dólares (R$ 2,2 bilhões) (AFP Photo)

A cidade de 350 mil habitantes foi atingida por uma chuva que duplicou a média anual histórica e deixou danos de mais de 400 milhões de dólares (R$ 2,2 bilhões) (AFP Photo)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 18 de maio de 2025 às 15h43.

Última atualização em 18 de maio de 2025 às 15h59.

"O evento é absolutamente extraordinário, é o clima, ele está mudando e é retrato da mudança climática", disse o governador Axel Kicillof à Crónica TV, se referindo às fortes chuvas que atingiram a província de Buenos Aires e duraram até a madrugada deste domingo (18).

Pelo menos 3 mil pessoas permanecem evacuadas e três desaparecidos são procurados em mais um evento climático extremo na Argentina e que foi considerado "cinco vezes maior do que o normal" para maio, segundo metereologistas.

A tempestade afetou o norte da província, a capital Buenos Aires e sua região metropolitana — onde vivem aproximadamente 15 milhões de habitantes — e provocou inundações em áreas que historicamente não enfrentavam o problema.

Na noite de sexta-feira (16), o Serviço Meteorológico Nacional emitiu um alerta vermelho para a região e registrou chuvas entre 150 e 250 mm entre as cidades de Zárate e Arrecifes. Neste fim de semana, a água subiu e atualmente 2.938 evacuados em 21 municípios, informou o governo provincial.

"As forças de segurança estão procurando três pessoas: um casal que andava a cavalo na cidade de Rojas e um homem de 78 anos que estava viajando pela Rota 41", disse em comunicado.

No entanto, o número de evacuados já diminuiu significativamente desde a noite de ontem, e as autoridades relatam que "a água está recuando em todos os setores e as pessoas estão começando a voltar para suas casas".

Eventos extremos ligam alerta

Este é o segundo evento climático extremo a atingir a província de Buenos Aires em pouco mais de dois meses. Em 7 de março, Bahía Blanca, no Sul, sofreu com enchentes catastróficas que deixaram pelo menos 16 mortos e duas crianças desaparecidas.

A cidade de 350 mil habitantes foi atingida por uma chuva que duplicou a média anual histórica e deixou danos de mais de 400 milhões de dólares (R$ 2,2 bilhões), segundo o governo local. Mais de mil pessoas tiveram que deixar suas casas, pontes foram arrancadas, estradas bloqueadas, carros empilhados e a lama foi vista por toda parte.

Um recente estudo realizado pelo World Weather Attribution, organização internacional que analisa como a mudança climática influencia fenômenos metereológicos, confirmou que a relação entre os dois eventos.

Segundo os cientistas, "o episódio de calor extremo que antecedeu as chuvas teria sido praticamente impossível em outras circunstâncias", embora a influência direta do aquecimento global sobre o volume de precipitação seja "menos clara".

Juan Rivera, pesquisador do Instituto Argentino de Nivologia, Glaciologia e Ciências Ambientais, explicou que "a mudança do clima favorece essa prevalência do ar quente e úmido, que com o avanço da frente fria gera enchentes de maior magnitude".

Há um ano atrás, o Rio Grande do Sul também enfrentava enchentes históricas que se tornaram uma das maiores tragédias do clima no Brasil.

Resposta emergencial continua

Em resposta à situação atual, tanto o governo nacional quanto o provincial mobilizaram operações de emergência em Buenos Aires, enviando brigadistas, equipes técnicas e veículos de resgate para as áreas mais afetadas. Segundo a AFP, os evacuados estão recebendo suprimentos essenciais como colchões, cobertores, roupas secas, água e alimentos.

As autoridades seguem monitorando o recuo das águas, enquanto comunidades inteiras começam o processo de limpeza e retorno às suas residências, em um cenário que a ciência alerta se tornar cada vez mais frequente diante do agravamento da crise climática e que também exige investimentos em adaptação para tornar as cidades mais resilientes. 

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