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COP30 à vista: estudo aponta Brasil como protagonista global em 18 áreas

Biodiversidade, matriz energética limpa, agricultura de baixo carbono e biocombustíveis são alguns dos destaques, segundo o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável

Em ano de COP30, o Brasil tem uma oportunidade 'histórica e sem precedentes' (Leandro Fonseca/Exame)

Em ano de COP30, o Brasil tem uma oportunidade 'histórica e sem precedentes' (Leandro Fonseca/Exame)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 4 de abril de 2025 às 16h48.

Última atualização em 4 de abril de 2025 às 17h16.

O Brasil já tem tudo o que precisa para se posicionar como uma potência socioambiental global e a Conferência de Mudanças Climáticas da ONU (COP30) é uma oportunidade sem precedentes. 

É o que revela um novo estudo pioneiro encomendado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), formado por lideranças da sociedade civil.

A pesquisa reúne as perspectivas de 90 líderes e pesquisadores e de mais de 3 mil brasileiros de diversas regiões do país para refletir sobre como o país se enxerga e os caminhos para se tornar mais coeso e influente, tanto no cenário nacional quanto internacional.

Há uma mudança significativa de percepção em curso: a visão do Brasil como um eterno "promissor" começa a dar lugar a uma postura de ação, como uma liderança real e com vocação para o protagonismo.

Segundo os pesquisadores, o "complexo de vira-lata" passa a deixar de existir, após décadas de uma imagem brasileira atrelada a uma nação atrasada e marcada por dificuldades estruturais.

A crescente valorização da biodiversidade brasileira e do território nacional, somada à importância da Amazônia, reflete essa nova visão. Pela primeira vez, o bioma se destaca como o principal símbolo da identidade brasileira, ultrapassando o Rio de Janeiro, o que revela um aumento na conscientização sobre o papel brasileiro agenda ambiental e climática do mundo.

COP30, oportunidade de ouro

Pela primeira vez em solo brasileiro e no coração da Amazônia, a COP30 em Belém do Pará é apontada como um marco crucial para o país.

O maior evento de clima do mundo é visto como uma janela para que o Brasil se posicione de maneira firme como líder em governança climática e soluções verdes que também possam ajudar a responder desafios comuns — como a transição energética e a economia de baixo carbono.

Jeanine Pires, conselheira do CDESS e integrante do grupo de trabalho responsável pelo estudo, destacou: "O mundo está buscando modelos de desenvolvimento sustentável e nós temos todas as credenciais para liderar essa transformação de maneira autêntica e eficiente".

As 18 áreas de excelência

A análise também identifica 18 áreas nas quais o Brasil já é uma referência global. Os destaques são: biodiversidade, democracia, ecossistemas de startups, matriz energética limpa, agricultura de baixo carbono e  biocombustíveis.

Todas são vistas como espaços de excelência que podem ser ampliados para fortalecer a imagem internacional do país. Confira:

  1. Biodiversidade – O Brasil é um líder global em biodiversidade, especialmente com a Amazônia, desempenhando um papel crucial na preservação ambiental.

  2. Matriz energética limpa – Uso de fontes de energia renovável, como hidrelétricas, eólicas e solares, fundamentais para a transição energética.

  3. Agricultura de baixo carbono – A adoção de práticas agrícolas que reduzem as emissões.

  4. Biocombustíveis – Pioneirismo no uso de biocombustíveis como etanol e biodiesel, o que coloca o país como líder em soluções energéticas sustentáveis.

  5. Ecoturismo – Uma enorme capacidade de explorar seu patrimônio natural de maneira sustentável, atraindo turistas interessados em natureza e preservação.

  6. Minerais críticos para a transição energética – A mineração de minerais essenciais, como lítio e nióbio, é fundamental para a transição para uma economia de baixo carbono.

  7. Democracia – A governança democrática pode contribuir para políticas públicas sustentáveis.

  8. Políticas públicas – Ajudam a promover o desenvolvimento sustentável, como as que regulam o meio ambiente e a economia verde.

  9. Empreendedorismo social – Muitos empreendimentos sociais no Brasil focam em soluções de impacto positivo para comunidades carentes e desafios sociais.

  10. Ciência – A pesquisa científica pode impulsionar inovações tecnológicas voltadas para a sustentabilidade e a preservação ambiental.

  11. Design – O design sustentável está se tornando cada vez mais relevante, com soluções criativas para reduzir impactos ambientais.

  12. Gastronomia – A gastronomia pode ser ligada à sustentabilidade, com práticas alimentares mais conscientes e apoio à agricultura sustentável.

  13. Artes e cultura – Promovem a conscientização sobre questões ambientais e sociais.

  14. Ecossistema de startups – Diversos pequenos negócios focados em inovação e tecnologia, com algumas voltadas para soluções ambientais e sociais.

  15. Tecnologias financeiras – Embora principalmente voltadas para o setor financeiro, algumas fintechs podem promover soluções de financiamento para iniciativas sustentáveis.

  16. Setor aéreo – Práticas de aviação com baixo impacto ambiental e uso de combustível sustentável (SAF)

  17. Movimentos sociais – Protagonismo na agenda ambiental e de justiça social que está alinhada com os objetivos de sustentabilidade da ONU.

  18. Esportes – A indústria tem adotado práticas mais sustentáveis, com eventos e infraestrutura focados em minimizar os impactos.

Entre os pontos-chave para o futuro, o estudo propõe algumas diretrizes, como: ativar o território de posicionamento da sociobiodiversidade, fortalecer narrativas estratégicas e reforçar o papel do país como mediador.

Além disso, investir em uma estratégia nacional de comunicação alinhada com as demandas desta geração. Marcel Fukayama, CEO da Din4mo, destacou a importância de aliar as decisões políticas com as necessidades da população e os desafios globais.

“O estudo não é apenas um exercício de marketing. Ele é um chamado à ação, para que o Brasil rompa com as narrativas limitantes do passado e se afirme como líder global”, finaliza Victor Cremasco, CEO da Mandalah, também participante do estudo.

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