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De saída para se dedicar à COP30, Ana Toni reforça urgência de adaptação

Em evento em Brasília, CEO da Conferência do Clima em Belém destaca avanços nos mecanismos de financiamento e prioridade dos planos setoriais para atração de investimentos

Ana Toni durante evento "Adaptação como Prioridade para a COP30": "Não é uma escolha, é uma necessidade. Como é que a gente vai proteger as nossas sociedades?" (Leandro Fonseca/Exame)

Ana Toni durante evento "Adaptação como Prioridade para a COP30": "Não é uma escolha, é uma necessidade. Como é que a gente vai proteger as nossas sociedades?" (Leandro Fonseca/Exame)

Lia Rizzo
Lia Rizzo

Editora ESG

Publicado em 26 de fevereiro de 2025 às 15h46.

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*De Brasília

Nesta tarde, Ana Toni, recentemente anunciada como CEO e diretora-executiva da COP30, compartilhou suas perspectivas sobre financiamento climático, durante participação no evento "Adaptação como Prioridade para a COP30", promovido em Brasília pelo Instituto Talanoa.

Em conversa com a EXAME, Ana também apresentou sua visão sobre os desafios e oportunidades que o Brasil enfrenta no cenário climático global da atualidade.

Financiamento como necessidade, não opção

Ana, que é também secretária nacional de Mudança do Clima do Ministério de Meio Ambiente, enfatizou a urgência das medidas de adaptação. "Não é uma escolha, é uma necessidade. Afinal, como é que a gente vai proteger as nossas sociedades?", questionou.

Ela avalia que o debate sobre financiamento climático avançou significativamente nos últimos dois anos, saindo de discussões abstratas sobre valores para análises mais concretas sobre mecanismos financeiros específicos.

"Agora não falamos só de números. Estamos falando de que tipo de financiamento pode se constituir, se é debt swap, se é blended finance etc" exemplificou, adicionando que o amadurecimento do tema se vê também no cenário internacional.

A CEO da COP30 enumerou ainda os esforços da pasta de meio ambiente para estabelecer mecanismos de captação de investimentos. "Nos últimos dois anos, temos desenvolvido diversos instrumentos econômicos no ministério para atrair recursos, colocando a adaptação também como uma prioridade" explicou.

Ao destacar iniciativas como a Plataforma Brasil para investimento climático, o Fundo Clima, o Fundo Amazônia, além da taxonomia e bônus soberanos. Segundo Ana, esses instrumentos complementam os planos setoriais da política nacional de clima, que abrangem áreas como agricultura, energia, infraestrutura, cidades e transportes.

"A gente tem que ter bons projetos, por isso os planos climáticos setoriais são tão importantes," explicou, ressaltando a necessidade de organizar tanto a demanda quanto a oferta de investimentos para financiamento climático.

Ana Toni não minimizou as dificuldades do cenário internacional atual. "Não há dúvida de que é extremamente difícil. Todo mundo sabe" observou, mencionando situações específicas como a dos Estados Unidos. Contudo, a secretária segue otimista sobre as perspectivas de mais avanço.

"Tivemos excelentes exemplos como o nosso G20, na preparação para trazermos o debate para o tema de financiamento climático para dentro do debate econômico," afirmou, destacando o papel do ministro da Fazenda na priorização dessa agenda.

Transição de ministério e COP30

Ana contou também que em breve deixa a secretaria de mudança do clima para se dedicar 100% à função de CEO da COP30. Com formação em Economia e doutorado em Ciência Política, ela traz para a função uma extensa experiência em sustentabilidade.

Entre 2015 e 2023, dirigiu o Instituto Clima e Sociedade, além de presidir o conselho do Greenpeace Internacional e atuar como diretora na Fundação Ford e na ActionAid Brasil.

Em entrevista anterior à EXAME, Ana já havia expressado sua visão para o evento que ocorrerá em Belém: "Queremos e podemos mostrar que estamos prontos para liderar e ser exemplo de descarbonização para o mundo. Estamos trabalhando para que a COP30 seja um ponto de virada e um momento decisivo para o mundo. E o Brasil será protagonista."

Sua liderança compartilhada com André Corrêa do Lago, nomeado presidente da conferência, enfrentará o desafio de posicionar o Brasil como referência nas negociações climáticas globais, especialmente no desenvolvimento de mecanismos financeiros para adaptação às mudanças climáticas.

Acompanhe tudo sobre:COP30ClimaSustentabilidade

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