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Especial Trajetórias: Ana Sarkovas, entre capital e impacto, os dois!

Cofundadora da Ecoa Capital, ela aposta em investimentos sustentáveis e sua maior missão é atuar por relações equilibradas e justas entre negócios, sociedade e meio ambiente

Ana Sarkovas, cofundadora da Ecoa Capital: "A transformação vai além do que as empresas entregam ao mercado. O 'como' elas fazem também é essencial" (Ecoa Capital/Divulgação)

Ana Sarkovas, cofundadora da Ecoa Capital: "A transformação vai além do que as empresas entregam ao mercado. O 'como' elas fazem também é essencial" (Ecoa Capital/Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 31 de março de 2025 às 17h12.

Última atualização em 31 de março de 2025 às 17h48.

"Minha história não foi pela dor, foi pelo amor. Sinto que nasci com essa chama da transformação social", contou Ana Sarkovas, em entrevista à EXAME para o especial Trajetórias femininas, lançado no mês de março.

As palavras da executiva revelam muito sobre quem ela é: uma visionária com propósito inato, que alia o capital financeiro com impacto positivo através de um olhar sistêmico. Sua missão? Criar relações equilibradas e justas entre negócios, sociedade e meio ambiente.

Cofundadora da Ecoa Capital, ela representa uma nova geração de líderes que vê o investimento como uma ferramenta de mudança. Diferentemente de tantos empreendedores que encontram sua vocação na adversidade, sua jornada foi moldada pelo ambiente em que cresceu.

Paulista, nascida em um contexto culturalmente rico, com um pai produtor de teatro e uma educação construtivista, Ana conta ter desenvolvido desde cedo uma sensibilidade para questões sociais. "Eu nunca tive um momento de virada. Minha família sempre foi muito voltada para as artes, e isso me fez entender o impacto de ações reais", destacou.

Formada em Ciências Sociais pela USP e em Publicidade e Marketing pela ESPM, seu desejo era construir uma base sólida que pudesse ser aplicada tanto no setor público quanto no privado.

Sua trajetória foi diversificada: começou em uma organização do terceiro setor dedicada ao apoio a empreendedores sociais. Depois, trabalhou por cinco anos no Banco Real, onde desenvolveu conhecimentos sobre sustentabilidade corporativa. "Foi uma verdadeira escola, tanto no aspecto empresarial quanto no desenvolvimento de soluções sustentáveis para o setor bancário", disse.

Durante a jornada, Ana entendeu que o maior impacto estava na economia e no setor privado. Então, passou a atuar na AMATA Florestal, empresa focada na substituição de madeira de desmatamento pela certificada, onde se aproximou da conservação ambiental e também conheceu seu marido, Dario Guarita Neto.

Com uma visão de mundo parecida, eles decidiram trabalhar juntos e fundaram a Ecoa Capital, 2020: "Foi do desejo de criar uma holding de investimentos que alinhasse capital financeiro, social e intelectual para investir em empresas que estão respondendo aos desafios da nossa geração", disse.

Atualmente, ela também faz parte do Conselho Consultivo do Estúdio Clarice, que desenvolve estudos e produtos audiovisuais sobre mulheres, e do Comitê de Pessoas e Cultura do Sistema B Brasil, organização que liderou por alguns anos e que hoje é membra emérito.

Do sonho de ser presidente do Brasil ao setor privado

Na infância, Ana tinha um sonho: ser presidente do Brasil. Ela acreditava que seria nesse cargo que poderia realizar as mudanças que tanto almejava para a sociedade. Durante a trajetória, sua liderança foi se ajustando para algo mais pragmático no setor privado, onde acredita que pode gerar um impacto mais direto e eficaz.

"Queremos ajudar a construir um país com menos desigualdade, um lugar onde as crianças possam nascer com as mesmas oportunidades. Acredito que as empresas têm um papel fundamental nesse processo e podem conciliar retornos financeiros com transformação", refletiu.

Um olhar sistêmico para a transformação

Em seu negócio, Ana aposta em uma visão holística dos investimentos de impacto. "O olhar sistêmico é sobre você analisar o território, identificar um problema e entender todos os tipos de capital necessários para resolver. Não é só investir em uma empresa, é compreender o ecossistema como um todo", avalia.

Com esse propósito, a Ecoa Capital tem cultivado um portfólio diversificado em áreas como educação, saúde, biotecnologia e sustentabilidade. Para a executiva, não basta que o produto final seja positivo – o processo também importa. "A transformação vai além do que elas entregam ao mercado. O 'como' elas fazem também é essencial", ressalta.

Hoje, são 24 investimentos verdes ativos em empresas e oito em fundos, divididos em cadeias de alimentação, sistemas urbanos, saúde, educação e gestoras. Entre os negócios estão a Nude (produtos vegetais), Solinftec (agricultura digital), EuReciclo (logística reversa), Urbem (construção civil) e Agrivalle (bioinsumos agrícolas).

Diante dos enormes desafios socioambientais enfrentados pelo Brasil, Ana é otimista e acredita no envolvimento de vários atores. "Percebemos que é necessário um esforço coordenado para investirmos em soluções verdes. É preciso um mix de capital público, privado e filantrópico para realmente gerar impacto".

Seu maior desafio e, ao mesmo tempo, sua maior força, está em provar que essa integração não apenas é possível, mas é crucial para um futuro mais sustentável.

Mercado financeiro, um universo masculino

Em um espaço dominado por homens, Ana enfrenta desafios. "O mercado financeiro é pautado por uma cultura de hierarquia, e o ambiente é muitas vezes hostil para mulheres empreendedoras. Percebo que as perguntas são mais desafiadoras para nós, é necessário validar mais e provar o tempo todo que você merece estar ali", compartilhou.

Mãe de Luisa e Marina e madrasta de Tom e Zeca, a executiva encontra na maternidade uma fonte de força e motivação para trabalhar por um mundo mais justo. Como refúgio da rotina corrida, ela adora se conectar com a natureza, passar tempo com a família e apreciar uma boa leitura.

"Acredito que as mulheres têm um papel de construir relações mais baseadas em confiança e cuidado, trazendo uma visão de longo prazo, diferentemente da abordagem mais imediatista e focada em resultados rápidos", defende.

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