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'Financiamento climático carece de infraestrutura para novos investimentos', diz CEO do BID Invest

James Scriven, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, fala sobre a criação de um ambiente propício para finanças verdes na Climate Day da B3

Scriven enfatiza que, para trazer esse dinheiro, o Banco tem se concentrado em uma série de iniciativas inovadoras

Scriven enfatiza que, para trazer esse dinheiro, o Banco tem se concentrado em uma série de iniciativas inovadoras

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 28 de agosto de 2025 às 18h36.

Última atualização em 28 de agosto de 2025 às 21h06.

Antes de unir empresas, investidores e governos na busca por necessários US$ 1,3 trilhões estimados para combater a crise climática, é preciso desenvolver um ambiente que permita que esses investimentos se tornem a regra, não a exceção.

Essa é a proposta de James Scriven, CEO do BID Invest, o braço de investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento. A poucos meses da COP30, a ponderação foi feita durante o Climate Day da B3, a bolsa de valores brasileira, um evento focado em discutir os investimentos para a transição verde

Scriven destacou ainda que, ao redor do mundo, existem centenas de trilhões de dólares em recursos de investidores interessados em apoiar soluções para o clima, especialmente no norte do planeta.

No entanto, ele reconhece que o verdadeiro desafio é como tangibilizar esses recursos, de modo que se tornem viáveis em mercados como o Brasil.

“O desafio que enfrentamos agora é como melhorar a infraestrutura digital e física para viabilizar esses investimentos”, explica.

Criar esse ambiente propício é justamente uma das linhas de trabalho do BID, que atua para acelerar a transição para uma economia de baixo carbono, especialmente no Brasil e na Amazônia, onde a necessidade de financiamento verde se faz mais urgente.

Scriven contou que, para trazer esse dinheiro, o banco tem se concentrado em uma série de iniciativas que considera inovadoras.

Um exemplo é o Eco Invest Brasil, programa firmado entre os governos brasileiro e do Reino Unido e o BID. O foco conjunto é buscar abrir leilões públicos de financiamento misto.

A justificativa é que este tipo de abordagem facilita a entrada de fontes mais acessíveis de capital, permitindo que o dinheiro flua para as regiões mais carentes de investimentos climáticos.

Policapital no financiamento climático

Durante o evento, o CEO do BID Invest reforçou outro aspecto fundamental:

“Nem todas as soluções derivam do setor público e governos. A maioria dos produtos e serviços no mundo são geridos por empresas do setor privado”.

Seguindo esta lógica, o papel das companhias é também assegurar que os recursos possam ser utilizados de maneira mais eficaz e menos arriscada em processos de transformação.

É nesse contexto que o BID se empenha para criar os chamados "acordos viáveis", conceito considerado um dos principais pilares da estratégia do banco. E envolve a criação de condições que permitam que investidores se sintam confortáveis para destinar suas aplicações para mercados emergentes, onde a moeda local e os riscos climáticos podem ser uma barreira.

Neste sentido, o foco é justamente diminuir a percepção de risco. Ao unir o conhecimento técnico e financeiro do banco com a parceria do setor público e privado, o BID elimina obstáculos e ajuda a atrair uma maior quantidade de recursos para enfrentar a crise climática de forma eficaz.

COP da ação

O papel da COP30 em incluir novos setores na pauta climática também foi tema de discussões ao longo do Climate Day. A vice-presidente da B3, Ana Buchaim, afirmou que o tom da emergência climática não estabelece mais espaço para retrocessos.

O impacto é econômico: o risco pode superar, segundo o IPCC, 27% do PIB global, comprometendo ainda os avanços atingidos nas últimas décadas. "O Brasil tem uma combinação única de recursos naturais, matriz energética limpa e políticas emergentes que o posicionam como líder em soluções climáticas globais", afirma.

Análise: 'COP30 é palco crítico para indústria provar compromisso real', diz Carlos Nobre

Viviane Romeiro, diretora de clima e sustentabilidade do Centro Empresarial Brasileiro para Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), contou mais sobre o trabalho da organização para fomentar a participação nas conferências climáticas. “Por muitos anos, a COP era um espaço técnico, mas desde a COP26 já temos desdobramentos para diferentes setores produtivos. É nosso papel incentivar a construção de convergências e soluções entre esses atores pelo sucesso dos acordos climáticos”, explica.

“Antes falávamos de captar dinheiro. Agora, a questão é levá-lo onde realmente importa”, aponta Paula Kovarsky, conselheira da Sustainable Business COP30, organização da iniciativa privada que busca conectar empresas e indústrias para tornar a conferência de Belém na COP da ação. “Precisamos traduzir nossas vantagens competitivas em uma linguagem que o mundo compreenda, e o dinheiro chegue aonde deve chegar”, explica.

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