Patrocínio:
Parceiro institucional:
Mulheres fundadoras enfrentam obstáculos crescentes para acessar capital de risco no mercado americano (DC Studio/Freepik)
Editora ESG
Publicado em 4 de abril de 2025 às 07h49.
Última atualização em 4 de abril de 2025 às 07h50.
Após anos de avanços graduais na diversificação do ecossistema de capital de risco, as startups fundadas por mulheres estão enfrentando um retrocesso significativo nos Estados Unidos.
Apesar do volume total de investimentos ter aumentado para US$ 38,8 bilhões em 2024 (crescimento de 27% em relação a 2023), a participação relativa dessas empresas no total de financiamentos está em declínio, segundo dados da Pitchbook.
O panorama atual representa uma reversão preocupante após os ganhos obtidos no período pós #MeToo e após as iniciativas de diversidade que ganharam força em 2020.
Conforme revelado em relatório recente do Business of Fashion, empresas lideradas por mulheres receberam menos de 20% do investimento total de capital de risco em 2024, com a tendência de queda se acentuando.
"É muito mais difícil obter financiamento do que há cinco anos — se você já era marginalizado, sentirá esse impacto ainda mais", afirmou ao portal, Alisa Carmichael, sócia da empresa de investimentos VMG Partners, que apoiou marcas de beleza como Danessa Myricks e Briogeo.
Diversos fatores explicam esta tendência, do ambiente econômico desafiador, com altas taxas de juros e queda nas avaliações de marcas de consumo, tornando os investidores mais conservadores; até a reversão de iniciativas de DEI, com programas de diversidade enfrentando pressão legal e política, como exemplificado pelo Fearless Fund.
Investidor em marcas de beleza negras, o Fearless Fund foi forçado a encerrar seu programa de subsídios após processos judiciais.
Há ainda a preferência por setores específicos, com investidores priorizando negócios com forte componente tecnológico ou de IA, áreas onde mulheres fundadoras tradicionalmente são menos representadas; e o preconceito persistente, com companhias lideradas por elas, especialmente em setores como moda e beleza, continuando a ser percebidas como de maior risco.
Diante desse cenário, empreendedoras estão desenvolvendo novas estratégias para navegar o ambiente hostil. Julie Bornstein, que levantou US$ 50 milhões para seu novo projeto Daydream no ano passado, destaca a importância do histórico.
"Depois que você consegue uma pessoa comprometida, é muito mais fácil conseguir colaboradores adicionais", explica ela, sugerindo que fundadoras em início de carreira enfrentam barreiras ainda maiores.
Empreendedoras também estão sendo mais seletivas em relação a quais investidores abordar, priorizando aqueles com histórico de apoio a negócios similares e demonstrada compreensão de sua categoria.
Um bom exemplo é Shai Eisenman, fundadora da marca de skincare Bubble, que entrevistou mais de 10.000 consumidores antes do lançamento para fortalecer seu pitch e combater o ceticismo dos investidores.
Muitas fundadoras estão questionando se o capital de risco é realmente o caminho ideal para seus negócios.
Neste sentido, fontes alternativas de financiamento tem ganhado destaque: programas de incubação apoiados por grandes Estée Lauder, empréstimos para pequenas empresas, investidores-anjo e plataformas de crowdfunding como WeFunder.
Apesar do contexto desafiador, especialistas acreditam que investidores visionários continuarão encontrando valor em empresas lideradas por mulheres, independente do clima político.
"A tese de que estamos investindo em negócios de propriedade de mulheres ou negros porque são marcas e oportunidades atraentes não mudou", disse Alicia Carmichael. "Quando você se importa com algo, você encontra maneiras de impactar essa comunidade."