Com a SAF, a responsabilidade pela gestão dos clubes passa a ser dividida entre os investidores e os dirigentes (Gerado por Inteligência Artificial/Divulgação)
Publicado em 5 de abril de 2025 às 06h01.
O Campeonato Brasileiro da Série B começou nesta sexta-feira, 4. Fora a emoção que a competição traz por si só, um dado chama a atenção: dos 20 clubes que estão no campeonato, nove são operados pelo modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Esse número representa quase 45% dos times da competição, o que evidencia uma tendência de mudança na gestão dos clubes brasileiros.
O modelo foi criado para tentar melhorar a gestão financeira das equipes e atrair investimentos, principalmente no cenário de crise que muitos clubes enfrentam.
Entre os times da Série B que se tornaram SAFs estão América-MG, Athletic Club-MG, Atlético-GO, Botafogo-SP, Coritiba, Cuiabá, Ferroviária, Novorizontino e Amazonas. O Cuiabá, vale destacar, que desde sua fundação, em 2001, funciona num modelo empresarial. O time do Centro-Oeste foi comprado pela família Dresch em 2009, e com a aprovação da Lei das SAFs, se tornou o primeira da Série A a realizar essa transição.
Com a SAF, a responsabilidade pela gestão dos clubes passa a ser dividida entre os investidores e os dirigentes, facilitando a implementação de estratégias mais profissionais e focadas na sustentabilidade financeira.
No caso do Botafogo-SP, a Trexx Holding assumiu o controle do clube, proporcionando recursos para investimentos e reformas em seu estádio, o Arena Nicnet, que estava passando por dificuldades estruturais.
Com essa adesão crescente ao modelo SAF, clubes como o Atlético-GO e América-MG buscam formas de fortalecer a gestão e aumentar suas receitas, trazendo mais segurança financeira a longo prazo. No Coritiba, que também optou pela SAF, o modelo tem sido visto como uma oportunidade para o clube se reerguer e se tornar mais competitivo. Em paralelo, clubes como o Novorizontino e a Ferroviária, apesar de não terem a mesma visibilidade nacional, têm aproveitado o modelo para melhorar sua infraestrutura e garantir um futuro mais sustentável financeiramente.
Um time da Série A que está procurando possíveis parceiros é o Sport. O tradicional clube pernambucano vem fazendo movimentos para tornar sua estrutura menos burocrática e mais profissional para que possa se tornar uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
"Esse desejo de se tornar SAF começou no início de 2023. Hoje, não acredito que nenhum clube do Nordeste consiga fazer os investimentos necessários sem um parceiro", disse à EXAME o presidente do Sport, Yuri Romão.
Na região, o Fortaleza adotou o modelo em 2023, com o então presidente Marcelo Paz indo para o cargo de CEO. A ideia do time cearense é vender partes de suas ações, mas sem ter um "dono". Outro clube nordestino que virou SAF foi o Bahia, vendido para o grupo City, que controla o Manchester City, em 2023.
Pelo Brasil, entre os grandes clubes, Cruzeiro (em 2021), Vasco (em 2022), Botafogo (também em 2022) e Atlético-MG (em 2023) aderiram à nova forma de gestão. Até o final do ano passado, 63 times viraram SAFs - oito deles na Série A e seis na Série B. No início de 2025, Portuguesa e Santa Cruz haviam finalizado o processo para entrar no mundo das Sociedades Anônimas do Futebol.