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Sob pressão, Carrefour aumenta oferta para tirar Atacadão da Bolsa

Matriz francesa oferece R$ 8,50 por ação, alta de 10% sobre o preço anterior e adia assembleia em cerca de 20 dias

Carrefour: prêmio passou a ser de de 45,9% e de 42% sobre a relação de troca (Leandro Fonseca/Exame)

Carrefour: prêmio passou a ser de de 45,9% e de 42% sobre a relação de troca (Leandro Fonseca/Exame)

Natalia Viri
Natalia Viri

Editora do EXAME IN

Publicado em 3 de abril de 2025 às 22h02.

Sob intensa pressão de minoritários, o Carrefour França aumentou em pouco mais de 10% sua oferta para tirar o Atacadão, sua subsidiária brasileira da Bolsa.

Agora, o preço oferecido é de R$ 8,50 por ação, contra os R$ 7,70 oferecidos anteriormente — num movimento promete puxar os papéis para cima no próximo pregão. As ações negociam no patamar de R$ 7,40 desde o anúncio da oferta.

A mudança vem menos de uma semana antes da assembleia que estava marcada para votar a operação, agendada para a próxima segunda-feira, 7. A reunião foi postergada em pouco mais de duas semanas, para o dia 25.

Acionistas minoritários, liderados principalmente por estrangeiros, vinham se articulando para barrar a operação no que prometia ser uma disputa voto a voto na assembleia.

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Para seguir com o fechamento de capital, o Carrefour França precisava da aprovação da maioria simples dos minoritários, numa base bastante pulverizada. Conta o aval de 50% mais 1 ação dos presentes na assembleia.

A gestora americana Ruane Cuniff, que gere mais de US$ 15 bilhões em ativos, vinha sendo bastante vocal a respeito do descontentamento com a proposta.

Numa carta dura aberta dura divulgada em primeira mão pelo INSIGHT, a gestora chamou a operação de “oportunista e antiética”.

As críticas eram tanto em termos do preço, considerado extremamente depreciado e próximo das mínimas históricas, quanto da governança do processo.

Eles apontam falhas e falta de transparência na elaboração dos laudos de avaliação e questionam a independência dos membros elencados pelo Carrefour Brasil para avaliar a operação.

Dois investidores estrangeiros ouvidos em condição de anonimato ainda não acham o preço justo. “Não faz sentido, ainda é muito subavaliado”, aponta um deles, para o qual o patamar mínimo para começo se conversa é de R$ 10 por ação.

“O novo preço não coloca cobre nem o valor dos ativos imobiliários do Carrefour sozinhos, quem dirá da operação”, afirma outro.

Esta semana, o golpe mais duro para a operação veio com a recomendação das consultorias Glass Lewis e ISS, que orientam voto e são seguidas por muitos fundos de perfil mais passivo. Ambas recomendaram que os acionistas não aceitassem a proposta dos R$ 7,70, por não achar o prêmio oferecido vantajoso.

Num processo cercado de polêmicas, também nesta semana, a Península, family office da família Diniz e segunda maior acionista do Carrefour depois do controlador, com 7,3% das ações, anunciou a “desvinculação” de 2,4% do capital de seus fundos — e que poderiam passar a votar como free float.

Segundo apurou o INSIGHT, trata-se do GIC, fundo soberano de Cingapura, que quer receber sua fatia em dinheiro e não em troca de ações do Carrefour França, como fará a Península.

O GIC, no entanto, estaria disposto a aceitar os R$ 7,7 por ação, num movimento que foi interpretado pelos minoritários como uma tentativa de “gol de mão” do Carrefour França, aumentando as chances de aprovação da sua proposta, com uma ajuda da Península.

Na nova proposta do Carrefour França, há também a possibilidade de troca de participação do Atacadão pelas ações da matriz francesa.

O investidor pode optar por receber uma combinação de 0,5 ação do Carrefour França mais R$ 4,25 em dinheiro, acima dos R$ 3,85 da oferta anterior. Outra opção é receber 0,1 ação do Carrefour França (ante 0,09 da oferta anterior).

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