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Ethereum: especialista aponta quais fatores influenciam no preço da criptomoeda (Reprodução/Reprodução)
Analista de research da Mynt, plataforma cripto do BTG Pactual
Publicado em 30 de agosto de 2025 às 11h45.
Os sinais de apetite institucional ficaram explícitos em agosto: os ETFs à vista de ether registraram picos históricos (mais de US$ 1 bilhão em um único dia, em 12 de agosto), além de novos aportes na casa de centenas de milhões de dólares por vários dias seguidos.
No acumulado recente, os fluxos líquidos já somam US$ 13 bilhões, uma guinada que mudou a conversa nas mesas de alocação. Para o investidor, isso importa porque cria demanda programática e previsível por ether; o tipo de comprador que não “desmonta” posição com ruídos de curto prazo.
Outro vetor é o movimento de tesourarias corporativas. Em 4 de agosto, a agência Reuters apurou pelo menos 966 mil unidades de ether em balanços de empresas, cerca de US$ 3,5 bilhões no fim de julho, número ordens de magnitude acima do observado no fim de 2024.
A combinação de staking nativo da rede e o papel do ether como “combustível” do blockchain Ethereum tem atraído companhias menores que buscam retorno e tese de crescimento, ainda que com riscos de execução e volatilidade.
E para onde isso pode ir? A resposta passa pelos fluxos dos ETFs, pela trajetória do dólar digital (já chegaremos lá) e por sinais regulatórios que podem adicionar um “rendimento” formal à tese de ether no varejo regulado.
Em 29/07, a SEC autorizou criações e resgates “in-kind” para ETFs de criptomoedas, resultando em alívio de atrito operacional que tende a baratear e escalar a esteira de captação.
Com a máquina mais eficiente, os picos de volume institucional em torno do ether tendem a se transmitir melhor ao mercado à vista.
Nem tudo é linha reta: dados recentes da CoinShares relatam saídas de capital dos ETFs de ether recentemente, ainda que agosto siga com fortes entradas no agregado.
Mas o recado segue o mesmo. Volatilidade tática, mas uma tendência estrutural de adoção nos portfólios que, por enquanto, favorece ether.
O tema “empresa comprando ether” já deixou de ser só narrativa: ETHZilla divulgou 102.237 unidades de ether em reservas e aprovou um programa de recompra; outras listadas, como Cosmos Health, iniciaram uma estratégia formal de tesouraria em ether.
É um público ainda concentrado em small caps, mas que ajuda a secar o float e reforça a percepção de que o ativo deixou de ser apenas “tecnologia promissora” para virar linha de balanço.
O mercado de stablecoins bateu recorde próximo de US$ 280 bilhões a US$ 283 bilhões em agosto, e a Ethereum mantém a maior fatia on-chain (cerca de US$ 148 bilhões em float).
Isso significa transações, liquidez e demanda por bloco que sustentam a utilidade do ether (gás) e sua economia de queima de taxas quando a atividade acelera.
Se stablecoins seguirem crescendo, a demanda orgânica por Ethereum tende a seguir junto.
Hoje, staking dentro dos ETFs de ETH ainda não foi aprovado. Há pedidos formais (BlackRock, Grayscale) e a SEC adiou decisões enquanto avalia o tema; o consenso de mercado trabalha com análise até o fim de outubro, mas nada está decidido.
Se aprovado, cria-se um “kicker de yield” que pode aumentar o apetite por ETFs de ether; se vetado, mantém-se a tese atual, ainda forte, ancorada em fluxo, utilidade e tesourarias.
Em síntese: o caso de ether como infraestrutura com compradores recorrentes (ETFs, tesourarias e o dólar digital) hoje pesa mais do que o ruído de curto prazo.
Regra de bolso: siga o fluxo (ETFs), a atividade (stablecoins) e a pauta regulatória; é assim que o investidor separa tendência de evento.
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