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(metamorworks/Getty Images)
Autor do livro Bitcoin por um iniciante
Publicado em 5 de abril de 2025 às 10h00.
O universo está se expandindo, assim como um elástico pode ser esticado.
Se você marcar dois pontos em um elástico e esticá-lo, os pontos irão se distanciar entre si. As distâncias no Universo se comportam da mesma forma: galáxias estão se afastando umas das outras.
Para mensurar distâncias intergalácticas, utilizamos unidades como o megaparsec (1 Mpc = 3×10^19 km). Por exemplo, nossa Via Láctea está a cerca de 0,75 Mpc da galáxia Andrômeda.
Se essa expansão ocorre em todo o Universo, galáxias mais distantes se afastam mais rapidamente do que galáxias próximas. Essa expansão universal é quantificada por uma taxa definida como E.
Assim, a velocidade aparente com que duas galáxias se distanciam é dada por:
V = E × d
onde d é a distância entre elas.
Como a velocidade é proporcional à distância, uma galáxia que está 10 vezes mais distante se afastará 10 vezes mais rápido.
Observações astronômicas indicam que para cada 1 Mpc de distância, o espaço se expande a uma taxa de 70 km/s. Ou seja, duas galáxias separadas por 1 Mpc estarão a 1 Mpc + 70 km no segundo seguinte.
Isso significa que uma sonda viajando a 70 km/s nunca conseguirá alcançar uma galáxia situada a 1 Mpc de distância.
Agora, vamos assumir uma velocidade mais universal: a velocidade da luz (c), que é o limite máximo de velocidade no espaço, equivalente a 3×10^5 km/s. Existe uma distância onde a velocidade de expansão do espaço se iguala à velocidade da luz. Essa distância é chamada de Raio de Hubble (Rₕ). Para calculá-lo, basta substituir V = c na equação acima:
Rₕ = c / E
Substituindo os valores conhecidos, temos:
Rₕ ≈ 4300 Mpc
Para termos uma ideia, a luz demoraria cerca de 14 bilhões de anos para percorrer essa distância.
Embora nada possa viajar pelo espaço mais rápido que a luz (c), objetos podem parecer se mover mais rápido que c devido à expansão do próprio espaço. Isso cria um limite chamado Horizonte de Evento Cosmológico (Rₑ). Qualquer coisa além desse horizonte não pode nos afetar nem ser afetada por nós, pois nada pode viajar rápido o suficiente para entrar no Raio de Hubble.
O Horizonte de Evento Cosmológico é, portanto, a borda do nosso universo alcançável, o máximo que podemos atingir com uma mensagem, sonda ou espaçonave viajando à velocidade da luz.
Podemos estabelecer uma analogia clara entre a expansão do universo e a expansão monetária no sistema fiduciário (fiat).
Assim como o espaço entre galáxias aumenta continuamente devido à expansão do universo, fazendo com que galáxias mais distantes se afastem mais rapidamente umas das outras, o sistema monetário fiduciário também passa por uma constante expansão da oferta monetária. Bancos centrais têm o poder de criar moedas, aumentando a quantidade total de dinheiro em circulação.
Essa expansão monetária, quando não acompanhada por um aumento proporcional na oferta de bens e serviços, causa desvalorização da moeda e corrosão do poder de compra.
Imagine uma empresa aérea que possui uma aeronave com capacidade para transportar 100 passageiros. No entanto, em vez de emitir apenas 100 passagens (uma para cada assento), ela decide emitir 200 passagens. Isso não significa que ela conseguirá transportar o dobro de passageiros.
Com o dobro de pessoas querendo embarcar em relação à quantidade real de assentos disponíveis, quem quiser voar terá que usar duas passagens para garantir um assento. O valor real de cada passagem foi reduzido pela metade.
Da mesma forma, uma pessoa que trabalhou, economizou e guardou dinheiro ao longo dos anos enfrentará um desafio: se esse dinheiro não for alocado em algo que se valorize mais do que a taxa de expansão monetária, seu patrimônio será corroído ao longo do tempo.
Podemos comparar essa taxa mínima necessária para preservar o poder de compra ao Raio de Hubble econômico: abaixo dessa taxa, o patrimônio real não cresce e acaba sendo consumido pela inflação.
Nos últimos cinco anos (2020 a 2025), segundo dados do Federal Reserve Economic Data (FRED), a oferta monetária em dólares aumentou cerca de 40%, passando de $15,4 trilhões em janeiro de 2020 para $21,6 trilhões em janeiro de 2025. Isso equivale a uma taxa média anualizada próxima a 7% ao ano.
Expansão monetária pelo Fed nos EUA (Fred/Reprodução)
Portanto, podemos dizer que o "Raio de Hubble" do sistema fiduciário atual é 7% ao ano. Qualquer retorno abaixo dessa taxa resulta na corrosão do poder aquisitivo devido à desvalorização da moeda.
Assim como duas galáxias separadas pelo Raio de Hubble (Rₕ) não podem mais interagir entre si devido à limitação da velocidade da luz, qualquer pessoa hoje dentro do sistema fiduciário que não consiga obter um retorno superior à expansão monetária média (7% ao ano) não conseguirá acumular riqueza real.
Nada pode viajar pelo espaço mais rápido que a luz, mas será que existe hoje algum ativo financeiro que não possa ter sua oferta expandida indefinidamente e que seja capaz de superar consistentemente a taxa média global de expansão monetária?
Seria o Bitcoin o buraco de minhoca do sistema fiduciário?
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