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Repórter do Future of Money
Publicado em 27 de fevereiro de 2025 às 18h21.
Fabio Araujo, coordenador do Drex no Banco Central, afirmou nesta quinta-feira, 27, que o projeto vai continuar e não será afetado pela decisão dos Estados Unidos de proibir a criação de uma moeda digital de banco central. Para Araujo, as realidades dos dois países são distintas, influenciando na criação de CBDCs.
Durante a sua participação em um evento promovido pela empresa ClearSale, ele afirmou que "que qualquer potencial impacto dos EUA terem feito isso é mais do que compensado pelo fato deles estarem efetivamente entrando no ambiente de ativos digitais".
"As tecnologias estavam evoluindo muito em empresas fora dos Estados Unidos porque não tinha apoio, e quando uma economia do tamanho dos EUA entra, você ganha escala. Esse aspecto é completamente positivo", disse. Ao mesmo tempo, ele foi questionado sobre o decreto de Donald Trump que prioriza stablecoins ao invés de CBDCs, caso do Drex.
A visão do coordenador é que "quando fala de stablecoin de dólar, eu realmente acho que pode funcionar [não ter CBDC], porque os bancos ao redor do mundo têm liquidez em dólar, todo mundo sabe operar em dólar, é uma moeda global. Então não precisa que o governo faça tanto esforço para que a ferramenta de liquidação chegue no usuário".
"Já com uma moeda de pais emergente, não tem como fazer isso apenas com stablecoins, sem atuação do banco central. Para economias emergentes, a avaliação é que uma CBDC é uma boa solução. Se pensa no euro, moeda chinesa, norte-americana, pode abrir mão de ter uma CBDC, mas a China e a Europa não abriram mão", destacou.
O Drex começa 2025 na segunda fase dos testes com a sua versão piloto. Araujo explicou que, na primeira fase, o foco estava nos temas de privacidade, componibilidade e descentralização. Como as duas últimas eram naturalmente garantidas pela tecnologia de registro distribuído (DLT) - a mesma por trás dos blockchains -, a privacidade foi o tema de destaque.
Já na segunda fase, o foco estará nos temas de governança e criação de casos de uso, assim como na relação deles com as soluções de privacidade atualmente testadas. "A privacidade é um dos componentes da confiança, e confiança é a matéria-prima para qualquer serviço financeiro que se pretenda prestar para a população", pontuou Araujo.
Ele explica que o ano será de "experimentação de novos casos de uso e novas soluções de privacidade". A expectativa é que o processo tenha uma pausa no fim do primeiro semestre para um balanço das atividades e definição dos próximos passos.
Até lá, será preciso amadurecer as soluções de privacidade, que podem variar em cada caso. O coordenador do Drex destacou que "a gente não tem de fato nenhuma solução de privacidade que o Banco Central esteja confortável em temos de garantir que a gente possa cumprir os requisitos da LGPD".
Na última quarta-feira, 26, o Banco Central revelou que optou por não incluir novas empresas e casos de uso na segunda fase de testes, apesar de ter recebido mais de 100 novas propostas. Araujo explicou que a análise e acompanhamento dos 13 casos atuais já demandam muito da equipe do BC, e que por isso não há disponibilidade de pessoal para incorporar novos casos de uso.
Mesmo assim, ele não descartou que as empresas que já participam do piloto possam incorporar ideias rejeitadas, desde que elas sejam complementares aos casos atuais. Já sobre uma data de lançamento do Drex, Araujo explicou que o projeto será implementado em fases, mas que ele pode começar a chegar na população "em breve".
"Ainda tem bastante trabalho a fazer, mas o Banco Central tem o objetivo de levar no médio prazo para a população serviços que podem ser testados no Drex, e para isso talvez precisemos relaxar alguns aspectos de arquitetura definidas pelas diretrizes do BC, revisitando para ver o que pode ser relaxado e aí conseguir avançar para chegar na população", diz.
Por outro lado, Araujo ressaltou que os casos atuais "precisam dar segurança e atender às necessidades da população. No estágio atual não tem isso, daí a necessidade de mudar a arquitetura. Tudo vai depender do resultado da segunda fase".
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