Jensen Huang: CEO da Nvidia (Getty Images)
Redator
Publicado em 29 de agosto de 2025 às 09h56.
Primeira empresa pública a atingir o valor de mercado de US$ 4 trilhões, a Nvidia tem sido um pilar fundamental não apenas na corrida pela inteligência artificial, mas também na determinação dos rumos de Wall Street e do mercado de ações.
Desde o lançamento do ChatGPT, da OpenAI, no final de 2022, os resultados da Nvidia têm sido acompanhados de perto, servindo como um termômetro para investidores sobre os gastos em data centers. A demanda por seus chips de alto desempenho disparou, com empresas como Meta, Google e outras investindo dezenas de bilhões de dólares em infraestrutura para sustentar a revolução da IA.
Apesar das atuais percepções de esgotamento ou da possível formação de uma bolha, os resultados da Nvidia no segundo trimestre encerrado em julho mostraram que o investimento em infraestrutura permanece forte. Isso ajudou a aliviar preocupações de Wall Street, mas não a eliminá-las. O principal desafio, assim como no primeiro trimestre, segue sendo a China.
Nos últimos meses, havia receios de que as empresas de tecnologia diminuíssem seus investimentos em data centers de IA, um setor que tem ajudado a sustentar a economia global. No entanto, a Nvidia superou as expectativas, com um aumento de 56% nas vendas, alcançando US$ 46,74 bilhões no segundo trimestre. O lucro também disparou, subindo 59%, para US$ 26,42 bilhões – valor superior ao de big techs como Apple e Meta.
Jensen Huang, CEO da Nvidia, comentou durante a teleconferência com analistas que a IA tem apresentado progressos enormes no último ano e que a demanda por seus chips continuará a crescer à medida que os gastos com infraestrutura de IA chegarem a US$ 3 trilhões ou US$ 4 trilhões até o final da década.
Para o próximo trimestre, a projeção de receita é de US$ 54 bilhões, um crescimento de 54% em relação ao ano passado. A Nvidia, no entanto, foi cautelosa em sua previsão, pois ela não inclui vendas para a China, o que poderia elevar ainda mais esses números.
[grifar]“Poderia”, justamente porque não há certeza sobre as vendas para a China, um tema que tem sido o elefante na sala da Nvidia desde a divulgação do balanço anterior.Mesmo com os resultados excepcionais, as ações da Nvidia caíram mais de 2% no pregão pós-mercado, uma reação que reflete as altas expectativas dos investidores e as incertezas sobre a China. Nesse cenário, a empresa anunciou também um plano de recompra de US$ 60 bilhões de suas ações, indicando confiança em suas perspectivas.
Maior mercado de chips do mundo, a China é essencial para o futuro crescimento da empresa, mas a Nvidia precisa da autorização do governo dos EUA para operar lá. Após o bloqueio do governo Trump à venda do chip H20, feito especificamente para empresas chinesas, a Nvidia conseguiu reverter a situação, mas ainda enfrenta dificuldades.
A China tem mostrado cautela nas compras, incentivado o desenvolvimento de tecnologias locais e feito questionamentos sobre a segurança dos chips da Nvidia, cujo uso é desencorajado pelo país para setores estratégicos, especialmente em projetos ligados ao governo ou à segurança nacional.
Huang já afirmou que o mercado chinês poderia representar US$ 50 bilhões em oportunidades para a Nvidia neste ano, com crescimento anual de 50%, que se somaria à expansão do mercado global de IA.
De acordo com o New York Times, Antes da apresentação dos resultados do segundo trimestre, analistas estimaram que a Nvidia arrecadaria US$ 16 bilhões em receita da China em 2025 e projetaram vendas superiores a US$ 56 bilhões no próximo ano.
Isso representaria um impulso significativo para a receita total da empresa. “Representaria”, exatamente porque, assim como no trimestre anterior, o elefante representado pela China continua a ocupar a sala durante a divulgação do balanço da Nvidia – mesmo com o sucesso nas expectativas para o resto do mercado global.