PF: ação no STF pede anulação de delações premiadas que decorreram de prisões preventivas / Vagner Rosário/VEJA (Vagner Rosário/VEJA)
Redação Exame
Publicado em 28 de agosto de 2025 às 19h25.
Entidades do mercado financeiro se manifestaram a respeito da operação Carbono Oculto, realizada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, 28. O alvo da investigação é uma rede que movimentou mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, infiltrada em toda a cadeia de combustíveis e no sistema financeiro nacional.
A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), defendeu a solidez do mercado de capitais brasileiros, ressaltando controles rígidos que são referência no mundo todo.
"Isso sustenta a indústria e assegura resiliência para enfrentar diversos episódios sem abalar suas estruturas", diz o comunicado da associação.
"Hoje, a indústria de fundos equivale a 85% do PIB brasileiro e conta com R$ 10 trilhões de patrimônio líquido, mais de 32 mil fundos e cerca de 41 milhões de contas. A Operação Carbono Oculto envolve, segundo noticiado pela imprensa, cerca de R$ 30 bilhões e 40 fundos".
A Anbima disse ainda que segue na defesa de uma indústria de investimentos forte, regulada e transparente, que contribua com o desenvolvimento da economia e, consequentemente, do Brasil.
A Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), em nota, mostrou apoio à operação policial, que chamou de "marco decisivo" no enfrentamento ao crime organizado no país.
"Essa megaoperação também se mostra fundamental, especialmente para identificar e segregar quais agentes do sistema financeiro estão, ou não, a serviço do crime organizado", diz a nota.
"Não há outro caminho, diante do cenário que emergiu com diversos novos players de mercado, incluindo fintechs, que, claramente, não se submetem ao mesmo rigor dos controles de integridade e de prevenção a ilícitos financeiros já, de há muito, aplicados aos bancos do país", continuou.
A Febraban lembrou ainda que nem todas as instituições financeiras em operação no país têm autorização do Banco Central.
"Essas assimetrias ampliam os riscos do sistema financeiro. Por isso, a Febraban reitera sua posição pública de que deveria ser encurtado o prazo para que todas as instituições, que ofertam serviços e produtos financeiros, tenham de pedir autorização para continuar funcionando", defende a nota.
"A concorrência é muito bem-vinda e é sempre saudável, desde que em condições de igualdade em relação às regras de prevenção e lavagem de dinheiro e a ilícitos financeiros", concluiu.