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Bolsas caem e ouro se aproxima de novo recorde com temor sobre tarifas de Trump

Expectativa por anúncio de novas tarifas dos EUA eleva volatilidade, pressiona moedas globais e mantém ouro perto de máximas históricas

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 2 de abril de 2025 às 06h22.

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As bolsas globais operaram em queda nesta quarta-feira, 2, refletindo a expectativa de investidores diante do aguardado anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre novas tarifas comerciais.

O índice europeu STOXX 600 recuou 0,9%, com destaque para perdas no setor farmacêutico. Nos EUA, o Dow Jones fechou em leve baixa, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq encerraram a terça-feira, 1º de abril, em alta, após forte volatilidade. Futuros dos índices americanos indicavam novas quedas, entre 0,3% e 0,4%.

A tensão global levou os investidores a buscar proteção. O ouro subiu 0,5%, alcançando US$ 3.125 a onça, muito próximo da máxima histórica registrada na véspera. O metal precioso acumula uma valorização de 19% em 2025, após subir 27% em 2024, e é visto como um dos principais refúgios em momentos de instabilidade econômica e política.

Segundo analistas, a possível escalada de uma guerra comercial está por trás da valorização acelerada.

Mercados temem nova rodada de tarifas nos EUA

O presidente Trump prometeu anunciar às 17h, no horário de Brasília, um pacote de tarifas recíprocas sobre países que impõem barreiras a produtos norte-americanos. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que as medidas entram em vigor imediatamente após o pronunciamento.

Trump tem promovido o 2 de abril como “Dia da Libertação” econômica dos EUA.

Segundo o Washington Post, o plano em discussão pode incluir um aumento tarifário de cerca de 20% sobre produtos de praticamente todos os países, o que representaria a ação mais agressiva do atual governo. Há rumores de que países aliados, como o Reino Unido, possam ser poupados.

Dólar em ritmo de espera

Apesar do clima tenso, o dólar apresentou apenas leve valorização nesta quarta, de acordo com dados da Reuters. O índice da moeda americana subiu marginalmente para 104,28, após cair 3,1% em março, no pior desempenho mensal desde novembro de 2022. Contra o iene, o dólar era cotado a 149,70, enquanto o euro estava em US$ 1,0784 e a libra esterlina em US$ 1,2907.

A expectativa sobre as tarifas influencia diretamente a cotação da moeda americana, em meio ao temor de que as medidas agravem os riscos de estagflação nos Estados Unidos, segundo Chris Weston, da Pepperstone.

O dólar canadense caiu levemente para C$ 1,4304, e o peso mexicano recuou para 20,389 por dólar. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, discutiu com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, uma estratégia conjunta para combater as medidas “injustificadas” de Washington.

Enquanto isso, investidores seguem atentos a dados econômicos fracos nos EUA, como a contração da indústria em março e a alta na inflação ao produtor, que reforçam a cautela nos mercados às vésperas de uma possível reviravolta nas relações comerciais globais.

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