A empresa anunciou R$ 9,1 bilhões em dividendos ordinários, abaixo das projeções de analistas. (André Motta de Souza / Agência Petrobras/Divulgação)
Repórter de Mercado Imobiliário
Publicado em 27 de fevereiro de 2025 às 10h30.
As ações da Petrobras (PETR4 e PETR3) operavam em queda de mais de 4% no início desta quinta-feira, 27. Na véspera, a petroleira divulgou um prejuízo de R$ 17 bilhões no 4º trimestre de 2024, revertendo o lucro de R$ 31 bilhões registrado no mesmo período de 2023. O resultado foi fortemente impactado pela variação cambial nas dívidas entre a estatal e suas subsidiárias no exterior. O lucro líquido ajustado do trimestre seria de R$ 17,7 bilhões, representando uma queda de 53% em relação ao quarto trimestre de 2023.
Para Ruy Hungria, analista da Empiricus, algo que demanda atenção são os investimentos, que aceleraram de US$ 4,4 bilhões no terceiro trimestre para US$ 5,7 bilhões no quarto trimestre. "Isso, inclusive, fez o capex estourar o guidance do ano, e pode começar a impactar o pagamento de dividendos da estatal daqui para frente", afirma o especialista.
A empresa anunciou R$ 9,1 bilhões em dividendos ordinários, abaixo das projeções de analistas, que esperavam algo em torno de R$ 14 bilhões.
Para analistas do BTG Pactual (mesmo grupo controlador da EXAME), o mercado deve se voltar para o capex reportado pela Petrobras. O resultado deve deixar investidores mais céticos em relação ao potencial de dividendos no curto prazo.
"Há tempos defendemos a Petrobras como nossa top pick, com a premissa de que a disciplina de capital, aliada a uma governança sólida, levaria a distribuições acima do esperado. Embora mantenhamos essa visão, após vários trimestres de superação das expectativas, acreditamos que uma reação negativa da ação seja razoável", afirmou o banco em relatório.
Para os analistas, no entanto, não é certo que o aumento do capex esteja ligado a estouro de custos. Dessa forma, o argumento de que o maior investimento em 2024 pode resultar em menores desembolsos em 2025 ainda pode ser utilizado. Mas os especialistas lembram que a Petrobras não revisou para baixo sua projeção de capex para 2025.
"Como não há garantia de que o descompasso físico-financeiro não voltará a crescer com o avanço de novos projetos, acreditamos que a relutância dos investidores em pagar por crescimento de longo prazo — com PRIO como um exemplo recente —, combinada com a possibilidade de menores distribuições no curto prazo, pode levá-los a exigir múltiplos mais baixos para manter a ação", diz o relatório.
Mesmo assim, a equipe do BTG Pactual mantém a recomendação de compra para as ações da Petrobras, sob justificativa de que nos últimos anos, "episódios de pânico excessivo com trocas de CEO, políticas de preços de combustíveis e riscos de fusões e aquisições frequentemente" criaram boas oportunidades de entrada na ação". Fora isso, o banco sinaliza que, a menos que haja uma revisão das projeções de capex para este ano, a ação estará sendo negociada com um rendimento de dividendos de 15%.
Os analistas do Goldman Sachs afirmam que o fato da Petrobras ter reiterado a projeção de capex para 2025 pode aumentar a preocupação dos investidores quanto a uma possível interferência do governo na compra. Apesar disso, o banco não acredita que o estatuto da Petrobras em vigor protege a empresa contra uma possível interferência política.
Os analistas do BTG Pactual também concordam que, dado o histórico da Petrobras de interferência política, "não esperamos que os investidores ignorem os riscos que uma decisão inesperada pode representar para a alocação de capital da empresa no futuro".