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Embraer (EMBR3) e WEG (WEGE3): quais as empresas brasileiras mais afetadas pelo tarifaço de Trump

Tupy (TUPY3) e Iochpe-Maxion (MYPK3) também são algumas das afetadas com as novas tarifas dos Estados Unidos

Quem ganha e quem perde com tarifaço do Trump (Brendan Smialowski/AFP)

Quem ganha e quem perde com tarifaço do Trump (Brendan Smialowski/AFP)

Juliana Alves
Juliana Alves

Repórter de mercados

Publicado em 3 de abril de 2025 às 11h45.

Última atualização em 3 de abril de 2025 às 12h09.

Apesar do temor inicial, o consenso entre analistas de mercado é de que os impacto do tarifaço de Trump de 10% para produtos brasileiros é “relativamente baixo” para os papéis das companhias brasileiras.

Ainda assim, alguns setores tendem a sofrer consequências de forma indireta.

Uma das empresas mais apontadas entre as afetadas é a Embraer. O Citibank considera que as tarifas podem ter impacto modesto e mantém a recomendação de “compra” para as ações da Embraer (EMBR3).

O banco espera que uma tarifa de 10% cobrada sobre as importações da companhia resultaria em uma redução de 9% no Ebitda de 2025. Esse impacto estimado contrasta com o que já foi um declínio mais significativo no preço das ações devido a preocupações com tarifas.

A receita da Embraer foi de US$ 6,4 bilhões em 2024, e 59% foi registrada nos Estados Unidos. O UBS avalia que, apesar da alta exposição às vendas nos EUA, a produção local pode mitigar o impacto. Isso porque, das vendas para o país, pelo menos 10% são dos jatos executivos Phenom, que são produzidos na Flórida. Além disso, serviços e suporte os EUA representam cerca de 13% das vendas, o que diminuiria o montante tributável para US$ 2,3 bilhões, ou 36% da receita total.

Já para a WEG (WEGE3), o UBS estima que a exposição aos EUA seja de 25% da receita com a fonte de produção correspondente bem distribuída entre EUA, México e Brasil.

Uma parte significativa de sua fabricação ocorre no México, que pode ser isenta de tarifas devido ao acordo de livre comércio USMCA, entre México Canadá e Estados Unidos — o anúncio de Trump não trouxe novidades sobre os países vizinhos, que não entraram na lista.

No caso do Brasil, estima-se que a tarifa recíproca de 10% possa refletir em uma queda de 0,8% na margem potencial. No entanto, é improvável que a WEG suporte o ônus total das tarifas, que devem ser parcialmente repassadas aos preços, segundo o banco. A fabricante de equipamentos elétricos aumentou sua presença nos Estados Unidos com a aquisição da Marathon, onde há capacidade ociosa.

Outra análise do UBS é que os produtos podem reagir de maneira diferente às tarifas. A área de T&D, que hoje enfrenta restrição de capacidade, é mais provável de absorver as tarifas por meio de aumentos de preços.

A Tupy (TUPY3) e a Iochpe-Maxion (MYPK3) enfrentam apenas o impacto indireto das tarifas sobre veículos leves exportados para os EUA que contenham peças produzidas no México, além do risco de redução da demanda devido às tarifas, conforme a avaliação do UBS. Estima-se que essa exposição indireta à receita em um dígito médio percentual para ambas as empresas.

A Tupy é a mais exposta ao risco de tarifas diretas, já que a proclamação da Casa Branca mencionou peças de motor, mas não citou rodas e componentes estruturais. O banco projeta uma queda potencial de margem de no máximo 0,3% para a Iochpe e no máximo 0,6% para a Tupy, dependendo dos efeitos mitigadores da transferência de preços ao consumidor.

Em relação às siderúrgicas, a Genial Investimentos avalia como “razoável” esperar uma intensificação dos esforços chineses para redirecionar as exportações para mercados ainda acessíveis, como América Latina, Oriente Médio e partes da África. Esse cenário pode aumentar a pressão competitiva global sobre os preços e afetar a dinâmica regional para as siderúrgicas brasileiras, como Gerdau, CSN e Usiminas.

Quanto ao minério de ferro, os impactos tendem a ser indiretos, mas não insignificantes. A menor demanda externa por aço na China, por meio de redução nas exportações de bens duráveis, combinado com os cortes domésticos já sinalizados pelo governo chinês, pode resultar em uma redução adicional na demanda por minério de ferro.

Para a Genial Investimentos, o pacote tarifário dos EUA representa um novo vetor de pressão sobre a indústria siderúrgica chinesa, o que pode levar a consequências indiretas. Uma delas é o aumento na penetração de aço importado e embutido no Brasil, gerando um momento mais difícil para as usinas, especialmente aquelas focadas em aço plano, como CSN e Usiminas.

“Se as tensões comerciais piorarem e a retaliação ganhar força, há espaço para uma reprecificação dos fundamentos ao longo de 2025, em um ambiente mais protecionista, fragmentado e desafiador para os fluxos globais de aço e insumos industriais”, explicam os analistas.

O Santander ressalta os impactos das tarifas para a Suzano (SUZB3). Apesar da exposição de 15%, as tarifas podem ser um fator positivo líquido, pois isso poderia forçar o fechamento de produtores de alto custo no Canadá.

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