O presidente Donald Trump, dos EUA: estudo da Amcham mostra que quase 30% dos produtos exportados pelo Brasil ao país serão isentos (Andrew Harnik / Getty Images/AFP)
Redatora na Exame
Publicado em 3 de abril de 2025 às 08h05.
Nesta quinta-feira, 3, o foco dos mercados globais é somente um: o tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na véspera. No fim do chamado “Dia da Libertação”, Trump anunciou tarifas generalizadas de pelo menos 10% sobre importações americanas, com alíquotas ainda mais elevadas para alguns países.
Os contratos futuros de índices acionários despencaram na esteira do anúncio. O Dow Jones caiu 1.064 pontos, ou 2,5%, enquanto os futuros do S&P 500 e do Nasdaq-100 recuaram 3,1% e 3,4%, respectivamente. As ações de multinacionais recuaram no pré-mercado: a Nike caiu 9%, enquanto a Apple perdeu 7%.
Na Europa, as principais bolsas abriram em queda. O índice Stoxx 600 recuava 1,27% às 10h03 em Londres, com destaque para as perdas da Adidas, que tombou 10,4%, e da gigante do transporte marítimo Maersk, que caiu 7,2%.
O setor automotivo europeu também sentiu o impacto das novas tarifas de 25% sobre veículos importados para os EUA, inicialmente despencando mais de 2% antes de reduzir as perdas para 1%. Os bancos recuaram 2,8%, enquanto as ações de serviços públicos avançaram 1,9%.
Os principais índices da região operam no vermelho: no começo da manhã, o FTSE 100, do Reino Unido, caía 1%, enquanto o CAC 40, da França, e o DAX, da Alemanha, recuavam 1,6% e 1,5%, respectivamente.
Na Ásia, os mercados também foram duramente afetados. O Nikkei 225, do Japão, fechou em baixa de 2,77%. O Kospi, da Coreia do Sul, encerrou o dia com perda de 0,76%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,52%. O índice CSI 300, que reúne as maiores empresas da China, teve queda de 0,59%.
As novas tarifas atingem diretamente mais de 180 países e territórios, com sobretaxas pesadas para parceiros comerciais como China, Índia e Coreia do Sul. Pequim, que já enfrentava tarifas de 20%, verá a alíquota efetiva saltar para 54%, segundo a Casa Branca. Para a Índia e a Coreia do Sul, as tarifas aplicadas serão de 26% e 25%, respectivamente.
O Brasil foi um dos países menos taxados pelo governo americano – e, numa análise relativa, saiu ‘vencedor’ em meio ao tarifaço sem precedentes. “Os asiáticos devem sofrer muito mais, mas não acho que Brasil e México escapem da queda, ainda que em menor magnitude”, disse um gestor de um grande fundo brasileiro à EXAME.
Na prática, a tarifa média dos EUA deve subir de aproximadamente 5% para pouco mais de 20%, um patamar que não é visto pelo menos desde 1936, segundo o Bradesco BBI. Nesse sentido, o efeito imediato será uma venda generalizada de ativos de risco.
Entre os destaques da agenda econômica brasileira desta quinta-feira, 3, está a divulgação do PMI composto e de serviços de março, medido pela S&P Global, às 10h. Ainda no cenário doméstico, a Fenabrave divulga, às 11h, os dados de emplacamentos de veículos em março.
Além dos dados econômicos, o cenário político no Brasil também está no radar. Às 10h, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros participam de um evento no Palácio do Planalto para apresentar um balanço das entregas do governo nos dois primeiros anos de mandato.
Nos Estados Unidos, às 9h30, o Departamento do Trabalho divulga os pedidos de auxílio-desemprego da última semana. No mesmo horário, o Departamento do Comércio apresenta os dados da balança comercial de fevereiro.
Às 10h45, o S&P Global publica o PMI composto e de serviços de março nos EUA. Logo depois, às 11h, o Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês) divulga o PMI de serviços do mesmo período. No período da tarde, dois dirigentes do Federal Reserve (Fed) discursam: Philip Jefferson (13h30) e Lisa Cook (15h30).
Na Europa, a expectativa se volta para a divulgação, às 8h30, da ata da última decisão de política monetária do BCE.