As ações da empresa já caíram quase 20% no ano (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter
Publicado em 3 de abril de 2025 às 16h28.
Última atualização em 3 de abril de 2025 às 16h42.
A Apple perdeu US$ 250 bilhões em valor de mercado nesta quinta-feira, 3, quase 24 horas depois do anúncio das tarifas recíprocas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A fabricante do iPhone foi uma das maiores vítimas dessa nova política tarifária americana, apesar da tentativa de aproximação do CEO, Tim Cook, com Trump.
As ações do gigante de tecnologia chegaram a cair 8,5% quando o pregão abriu em Nova York, vendo sua capitalização de mercado ir de US$ 3,37 trilhões para US$ 3,12 trilhões. No ano, os papéis já desvalorizaram quase 20%.
O tarifaço de Trump acerta em cheio a cadeia de produção da empresa de Cupertino. Os maiores centros de produção da Apple estão em países como China, Taiwan, Índia e Vietnã. A medida vai afetar quase todos os modelos de iPhone, iPad e Mac, além de acessórios. Para ter uma ideia, Vietnã e Índia, que produzem iPhones e AirPods, tiveram tarifas recíprocas de 46% e 26%, respectivamente.
No entanto, semicondutores estão, no momento, isentos das novas tarifas, o que poderia proteger a Apple, que é cliente da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), de uma tarifa "recíproca" de 32% na ilha. A TSMC é maior fabricante de semicondutores modernos do mundo.
Em fevereiro, a Apple prometeu contratar 20 mil funcionários e investir US$ 500 bilhões nos EUA nos próximos quatro anos, incluindo uma fábrica para desenvolver servidores para inteligência artificial no Texas.
De acordo com o Financial Times, essa nova fábrica de chips da TSMC pode representar uma grande parte dos centenas de bilhões de dólares que tanto Apple quanto Nvidia prometeram gastar nos EUA nos próximos anos.
Expandir esse projeto, porém, deve se tornar mais caro com as novas taxas, já que Trump anunciou uma tarifa de 20% sobre importações da UE, incluindo do fabricante de chips ASML, com sede na Holanda.
As tarifas recíprocas anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, possuem uma série de isenções, em áreas como energia, minerais e madeira. Assim, 27% das exportações brasileiras ao país ficarão isentas das novas medidas, aponta um estudo da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham) e obtido pela EXAME.
Estes itens movimentaram R$ 11 bilhões em exportações brasileiras em 2024, de um total de cerca de US$ 40 bilhões exportados.